Refém canadense libertado denuncia assassinato da filha e estupro da esposa

Boyle afirmou que o assassinato de sua filha e o estupro da esposa, a americana Caitlan Coleman, em 2014 foram confirmados por uma investigação afegã em 2016

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postado em 14/10/2017 17:24

Smiths Falls, Canadá -O canadense Joshua Boyle, refém libertado ao lado da família no Paquistão após cinco anos de cativeiro no Afeganistão, afirmou ao retornar a seu país na sexta-feira à noite que os sequestradores da rede Haqqani, ligada aos talibãs, mataram sua filha e estupraram sua esposa.

"A estupidez e a maldade da Haqqani ao sequestrar um peregrino e sua esposa grávida, que viajavam para ajudar os moradores nas regiões controladas pelos talibãs no Afeganistão, só foram obscurecidas pela estupidez e a maldade ao autorizar o assassinato de minha filha, mártir Boyle, em retaliação à minha recusa reiterada em aceitar uma oferta que os criminosos da rede Haqqani fizeram", declarou Joshua Boyle.

Ao ler um texto diante das câmeras, o refém canadense libertado, à beira das lágrimas, disse que a sua negativa teve como consequência "o estupro de minha esposa, não como uma ação isolada, e sim por um guarda apoiado pelo capitão dos guardas e supervisionado pelo comandante Haqqani, Abu Hajar".

Em outra mensagem dirigida neste sábado a vários meios de comunicação canadenses de Smith Falls, a 80 km de Ottawa, onde moram seus pais, declarou que a família chegou por fim "à verdadeira casa" que seus filhos não conheceram.

Boyle afirmou que o assassinato de sua filha e o estupro da esposa, a americana Caitlan Coleman, em 2014 foram confirmados por uma investigação afegã em 2016.

"Não tenho certamente nenhuma intenção de permitir a um grupo brutal de criminosos que determine o futuro de minha família", completou, sem revelar detalhes sobre as exigências dos sequestradores que ele recusou.

Libertados na quarta-feira no Paquistão, Boyle, a esposa e três filhos nascidos em cativeiro no Afeganistão desembarcaram na sexta-feira à noite ao aeroporto de Toronto.

Boyle afirmou que é importante para sua família agora poder "construir um santuário seguro que os três filhos sobreviventes possam chamar de lar".

Também disse que pretende oferecer, além de educação, um entorno que permita às crianças "recuperar uma parte da infância que perderam".

- Ajudar uma minoria -

Boyle afirmou que viajou ao Afeganistão para ajudar a "minoria mais esquecida do mundo".

"Estes moradores comuns que vivem em zonas remotas de territórios controlados pelos talibãs no Afeganistão, onde nenhuma ONG, nenhum voluntário ou nenhum governo jamais conseguiu levar a ajuda necessária", disse.

Joshua Boyle e Caitlan Coleman, casados desde 2011, foram sequestrados pelos talibãs pouco depois que entraram no Afeganistão em 2012. Depois foram entregues à rede aliada Haqqani no Paquistão.

Os reféns foram libertados durante uma operação das Forças Armadas paquistanesas, depois que receberam informações do serviço de inteligência americano.

Ao contrário das informações divulgadas na quinta-feira por fontes militares americanas, Boyle afirmou que não se recusou a ser transportado para os Estados Unidos, mas que expressou a vontade de reunir-se com sua família no Canadá.

No entanto, ainda existem perguntas sem resposta sobre como Boyle e sua esposa grávida foram parar em um território controlado pelos talibãs.

Nesse sentido, o pai de Coleman atacou verbalmente seu genro em uma entrevista com a ABC. "Levar sua esposa grávida para um local tão perigoso, para mim, e para o tipo de pessoa que sou, é inadmissível", disse Jim Coleman.

Boyle trabalhou ativamente na defesa de Omar Khadr, um canadense capturado em 2002 no Afeganistão com 15 anos e que passou muito tempo detido em Guantánamo, antes de retornar ao Canadá e retomar a liberdade, com cuja irmã, Zaynab Khad, Boyle se casou em 2009.

O governo canadense celebrou o "retorno tão esperado" da família Boyle.

"O Canadá teve um papel ativo em todos os níveis no caso do Sr. Boyle e continuará apoiando, ele e seus parentes, agora que retornou ao país", afirmou o Ministério das Relações Exteriores.

Na quinta-feira, a ministra canadense das Relações Exteriores, Chrystia Freeland, afirmou que Boyle não era objeto de nenhuma investigação no país e informou que nenhum resgate foi pago pela libertação dos cinco integrantes da família.

Os ex-reféns embarcaram em um voo comercial na manhã de sexta-feira em Islamabad com destino a Londres, de onde prosseguiram a viagem para Toronto.
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