Partido Comunista chinês traça os rumos para o futuro da potência emergente

O 19º Congresso do partido terá como focos o desenvolvimento sustentável e o bem-estar social. Encontro testará a liderança do presidente Xi Jinping e começará a delinear a sucessão na cúpula

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postado em 17/10/2017 06:00 / atualizado em 17/10/2017 08:49

 Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press
 
Pequim — Todos os dias, quando o sol se põe exatamente atrás do prédio do Grande Salão do Povo, soldados chineses se posicionam diante do imenso retrato de Mao Tsé-tung, na Torre Tiananmen, em sinal de reverência. Em formação de dois pelotões, eles marcham em direção à bandeira da China e retiram o estandarte, em silêncio, para tornarem a hasteá-lo ao próximo nascer do sol. Às vésperas do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), as cerimônias costumam reunir centenas de pessoas, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen). São idosos, casais de namorados, famílias inteiras, crianças ostentando bandeirinhas de papel. No centro, a alegoria de um grande vaso, repleto de frutos, é motivo para a tomada de selfies, enquanto jardineiros dão os últimos retoques em flores nas cores vermelha e amarela. O vaso traz a inscrição “Felicidades, Pátria (1949-2017)”, em referência ao período do regime comunista.
 
 
O clima festivo e patriótico coabita com a preocupação extrema em relação à segurança. O Grande Salão do Povo, sede do PCC e do Congresso Nacional Popular, está isolado por cercas de metal. Para ter acesso à Tiananmen, é preciso passar por detectores e se submeter a uma revista de bolsas e sacolas. As autoridades também vistoriam a documentação de turistas e de chineses.
 
 
A cada cinco anos, o PCC se reúne para traçar as diretrizes do governo. A partir de amanhã (noite de hoje, em Brasília), mais de 2.200 delegados ao 19º Congresso definirão a estrutura do Comitê Permanente do Politburo, órgão máximo do partido. Cinco dos sete integrantes anunciaram a aposentadoria, decisão que sinaliza a renovação dos quadros, sem perder o foco em um “socialismo com características chinesas”. Um dos principais jornais de Pequim ressaltou na primeira página a importância do evento e destacou que um sistema pluripartidário provocaria divisões na sociedade.

Comando


No último congresso, em 2012, os delegados priorizaram a governança transparente, o crescimento inovador, o desenvolvimento verde e a confiança nacional. A ordem, agora, é manter o foco no bem-estar social, sem perder de vista os ganhos obtidos com as reformas dos últimos 40 anos, além de apostar no desenvolvimento sustentável e estabelecer conceitos de progresso.

Os delegados devem manter no comando o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang. O evento também será a oportunidade de Xi, secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista, reafirmar-se como força política e manter a direção do Estado por mais cinco anos. Xi goza de grande prestígio por ter investido em uma diplomacia mais atuante, na participação ativa em mecanismos multilaterais e na Iniciativa One Belt and One Road, estratégia que busca ligar a China a mercados ocidentais, por meio milenar da Rota da Seda. Os investimentos de Pequim chegam a US$ 150 bilhões anuais em países signatários do pacto, que contribuiu para alavancar a economia da província sulista de Guangdong, responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês.

“É muito possível que os líderes saibam o que acontecerá durante o 19º Congresso do PCC, pois esses eventos seguem um roteiro. Mas é muito difícil que alguém faça mais do que adivinhar o que ocorrerá”, afirma ao Correio Jeff Wasserstrom, historiador da Universidade da Califórnia (Irvine) e especialista em China. Ele explica que o principal interesse será ver quantos líderes Xi conseguirá colocar no Comitê Permanente do Politburo, além de analisar como a contribuição do presidente à ideologia do partido será colocada à mesa. “O que estarei observando, depois do encontro, será até que ponto o controle sobre a mídia e a expressão serão afrouxados novamente.”


Sucessão


Wasserstrom acredita que o 19º congresso será sumariamente importante. “Ele nos dirá quão longe Xi foi em aglutinar muitas camadas de poder em suas mãos e quais dos aliados mais próximos se perderam”, comenta. O nome de Hu Chunhua, 54 anos, chefe da província de Guangdong, desponta como um dos favoritos para ascender ao Comitê Permanente do Politburo e suceder Xi. “Hu trabalhou por mais de cinco anos em nossa província e obteve muitos êxitos. Guangdong é uma miniatura do desenvolvimento econômico da China”, comentou Luo Jun, vice-diretor geral do Escritório de Assuntos Exteriores de Guangdong. Luo prefere não opinar sobre o favoritismo do “pequeno Hu”, um homem que contribuiu para que a província experimentasse crescimento econômico 2,5 pontos percentuais acima do índice nacional. Além dele, os nomes de Li Zhansu, 67, vice-diretor do Escritório Geral do Comitê Central do PCC e ajudante pessoal de Xi; Wang Huning, 61, diretor do Escritório Central de Pesquisa Política; e Chen Min’er, 56, político de confiança do presidente também são apontados para o Comitê Permanente.



O repórter viajou a convite da Embaixada da China

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