Madri pretende destituir governo catalão e convocar eleições regionais

Mariano Rajoy afirmou que o governo separatista da Catalunha não deixou a Madri qualquer outra escolha

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postado em 21/10/2017 13:17

Lluis Gene/AFP

 
Madri, Espanha - O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou neste sábado (21) que pedirá ao Senado a destituição do governo catalão de Carles Puigdemont e a convocação de eleições regionais, a fim de impedir a separação unilateral da Catalunha.

Em uma coletiva de imprensa organizada após um Conselho extraordinário de ministros em Madri, Rajoy afirmou que o governo separatista da Catalunha não deixou a Madri qualquer outra escolha.

Baseando-se no artigo 155 da Constituição espanhola, nunca antes utilizado, o líder conservador afirmou que pedirá ao Senado que lhe confie a faculdade de dissolver o parlamento catalão, para "convocar eleições no prazo máximo de seis meses".

Rajoy deseja "a destituição do presidente da Generalitat da Catalunha (Carles Puigdemont), de seu vice-presidente (Oriol Junqueras) e dos conselheiros que integram o conselho do governo" regional. Suas funções passariam a ser exercidas, "em princípio, pelos ministérios (nacionais), enquanto durar esta situação excepcional".

A sessão do Senado em que tais medidas serão analisadas e votadas está marcada para 27 de outubro. A sua aprovação é bastante provável, uma vez que o Partido Popular (PP) de Rajoy dispõe de uma maioria na câmara alta e conta com o apoio dos socialistas do PSOE e dos liberais do Ciudadanos.

A Câmara Alta poderá sugerir mudanças ao projeto apresentado pelo Executivo espanhol. E durante sua tramitação, Puigdemont também poderá apresentar disposições, segundo as regras da casa. "O presidente do governo, se o Senado assim decidir, terá que convocar eleições no prazo máximo de seis meses", afirmou Rajoy, ressaltando, no entanto, que sua "vontade era fazê-lo assim que recuperarmos a normalidade institucional", que é "um dos objetivos do futuro".

"Este é um processo que foi unilateral, contrário à lei e de confrontação", sentenciou Rajoy, culpando os separatistas pela pior crise atravessa pela Espanha desde o retorno à democracia. 

As últimas eleições regionais catalãs ocorreram no dia 27 de setembro de 2015. Nelas, os separatistas conquistaram a maioria dos 72 assentos de um total de 135. Em relação à câmara regional, Rajoy também solicitou limitações ao funcionamento da mesma.

Em virtude dessas limitações, o controle do parlamento catalão permanecerá nas mãos de um órgão designado pelo Senado, e a câmara regional não poderá "adotar iniciativas contrárias à Constituição espanhola e ao Estatuto de Autonomia, tendo o governo um prazo de 30 dias para exercer seu direito de veto".

Desobediência 'sistemática'
Após o anúncio de sua destituição pelo primeiro-ministro espanhol, Carles Puidgemont fará uma declaração às 21H00 (17H00 de Brasília), informou neste sábado um porta-voz da Generalitat em Barcelona. Puigdemont ameaça proclamar formalmente a independência da Catalunha, uma região tão grande quanto a Bélgica, que representa 19% do PIB da Espanha. Ele se baseia em um referendo de autodeterminação que organizou em 1º de outubro, desafiando a proibição da Justiça e onde, segundo ele, 43% dos catalães votaram, 90% pela independência.

Se o líder separatista der esse passo, a Procuradoria Geral do Estado "formulará uma denúncia" por crime de rebelião, passível a uma condenação máxima de 30 anos de prisão, segundo indicou à AFP uma fonte desse organismo. A população da Catalunha está divida sobre a independência, mas todos são conscientes da tensão popular que provocará a suspensão das competências da região.

Neste sentido, Mariano Rajoy garantiu durante a coletiva de imprensa que "não era seu desejo nem intenção" aplicar o artigo 155, mas que foi forçado a tal ação.

Ele também disse que, com tudo isso, "a autonomia e o governo autônomo da Catalunha não estão suspensos", mas sim "as pessoas que colocaram esse governo autônomo fora da lei, da Constituição e do Estatuto de Autonomia" da região. Antes do anúncio oficial das medidas a serem adotadas, o governo espanhol justificou sua ação pela "desobediência rebelde, sistemática e consciente" do Executivo de Puigdemont.
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