Acusado de corrupção, dono do PSG depõe na justiça suíça

Em 12 de outubro, o Ministério Público suíço anunciou que estava investigando por "corrupção privada" desde 20 de março de 2017 o ex-secretário-geral da Fifa Jerome Valcke

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postado em 25/10/2017 16:00

"Não tenho nada a esconder": Nasser Al-Khelaifi, presidente da beIN Media e do Paris Saint-Germain, depôs nesta quarta-feira (25/10) em Berna na justiça suíça, que investiga suspeitas de que o catariano teria corrompido Jerome Valcke, ex-número 2 da Fifa, para adquirir os direitos de transmissão da Copa.


Al-Khelaifi, 43 anos, compareceu na justiça suíça como dono da beIN Media e deu explicações nesta quarta-feira, depois de uma chegada discreta às 09h30 do horário local (05h30 de Brasília), escapando das perguntas de cerca de 20 jornalistas, entre eles da AFP, presentes diante do edifício do Ministério Público helvético.

Às 18h30 locais (14h30 de Brasília), com um sorriso, Al-Khelaifi fez sua primeira declaração pública sobre o caso: "Eu pedi para vir à Suíça para dar minhas explicações. Estou disponível para o procurador-geral se quiser me ver novamente. Vim tranquilo e vou embora tranquilo".

Em 12 de outubro, o Ministério Público suíço anunciou que estava investigando por "corrupção privada" desde 20 de março de 2017 o ex-secretário-geral da Fifa Jerome Valcke, suspenso por dez anos pela entidade por outros casos de corrupção, e Al-Khelaifi "em relação à concessão dos direitos de transmissão das Copas do Mundo" de 2026 e 2030.

"Começamos a interrogar o acusado às 09h45 (05h45 de Brasília) no escritório do procurador-geral da Suíça. Levará horas, por motivos de tradução, mas também pelas numerosas perguntas que temos e respostas que gostaríamos de ter por parte do acusado", havia informado André Marty, porta-voz do Ministério Público da Confederação Helvética (MPC) a cerca de 20 jornalistas em frente ao prédio.

Em total discrição


Questionado sobre as condições da audiência, Marty informou que "há cerca de doze pessoas presentes na sala, entre advogados de todas as partes (o que sugere haver um advogado da Fifa, o acusado e dois procuradores do Ministério Público".

Al-Khelaifi não se pronuncia publicamente sobre o caso desde 12 de outubro, reservando suas explicações para o Ministério Público suíço (MPC).

Francis Szpiner, advogado de Al-Khelaifi, explicou na quarta-feira à AFP que seu cliente "desejava comparecer rapidamente diante do Ministério Público da confederação suíça", insistindo que o presidente do PSG "nega qualquer corrupção".

 

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Valcke já depôs na justiça suíça e se defendeu de qualquer delito ou infração. "Não recebi nada de Nasser", afirmou o ex-dirigente francês ao diário esportivo L'Équipe.

A investigação foi aberta por "suspeita de corrupção privada, fraude, gestão desleal e falsificação de documentos", informou o MPC em 12 de outubro, explicando que uma operação "coordenada" foi realizada simultaneamente na França, na Grécia, na Itália e na Espanha.

Também em 12 de outubro, o escritório parisiense da emissora catariana beIN Sports foi revistada pela procuradoria nacional financeira (PNF) da França.

Mansão em Porto Cervo


Um dia depois, a polícia italiana anunciou ter revistado uma mansão em Porto Cervo, na Sardenha, que serviria de "meio de corrupção" entre os dois homens. As acusações foram negadas pelos advogados de Al-Khelaifi.

"Os direitos de televisão só dizem respeito à zona do Oriente Médio/Zagreb e nestes países a beIN Media não tem nenhuma concorrência. Por que Nasser Al-Khelaifi gostaria de corromper alguém quando não tem concorrência?", questionou o entorno do dirigente à AFP.

Um porta-voz da BeIN Media afirmou à AFP que o contrato assinado com a Fifa era "o mais vantajoso possível" para a entidade internacional.

Além da batalha jurídica na Suíça, Al-Khelaifi precisa lidar com a suposta quebra do fair-play financeiro do PSG. O catariano é presidente do time desde a compra da equipe por um fundo soberano de seu país, em 2011. A Uefa investiga o caso.

O clube francês pagou 222 milhões para tirar Neymar do Barcelona e mais 180 milhões para contratar Kylian Mbappé ao Monaco. Segundo as regras da entidade, um clube não pode gastar mais do que arrecada nem ter prejuízo de mais de 30 milhões de euros em três anos.
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