Colômbia declara chefes dissidentes das Farc alvos de valor militar

Essa diretriz "permitirá às Forças Militares e à Polícia Nacional atuar de maneira contundente diante das novas estruturas que não acolheram o acordo de paz com o governo nacional", assinalou o ministério em comunicado

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postado em 31/10/2017 16:44

Três líderes guerrilheiros que se afastaram do processo de paz com as Farc serão perseguidos no futuro como alvos de "alto valor militar" na Colômbia, anunciou o Ministério da Defesa nesta terça-feira (31/10).



O governo usará todo o seu poder de fogo, incluindo os bombardeios, que marcaram um ponto de inflexão no conflito armado de cinco décadas, contra os líderes das chamadas dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Essa diretriz "permitirá às Forças Militares e à Polícia Nacional atuar de maneira contundente diante das novas estruturas que não acolheram o acordo de paz com o governo nacional", assinalou o ministério em comunicado.

O presidente Juan Manuel Santos alcançou um histórico acordo que permitiu neste ano o desarme de cerca de 7.000 combatentes das Farc e a transformação dessa guerrilha comunista em partido político, após o prolongado confronto.

No entanto, alguns comandantes e sua tropa ficaram à margem do pacto e, segundo as autoridades, estão à frente do negócio do narcotráfico em departamentos como Guaviare (sudeste) e Nariño, fronteiriço com o Equador.

A Defensoria Pública, encarregada de cuidar dos direitos humanos no país, considera que as dissidências contam com um pé de força de até 800 homens.

As Forças Armadas irão atrás de seu três líderes: Miguel Santillana Botache ("Gentil Duarte"), Gener García Molina ("John 40") e Néstor Vera ("Iván Mordisco"), considerados como "objetivos de alto valor militar ou estratégico".

Sob essa estratégia, a então guerrilha das Farc sofreu os maiores golpes em 50 anos de luta armada ao perder, por exemplo, seu chefe militar Jorge Briceño, "Mono Jojoy", em um bombardeio em 2010.

Com essa nova diretriz, o governo equipara os rebeldes que não assinaram a paz com grupos do crime organizado, como o Clã do Golfo, principal facção do tráfico armado do país.

 

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Em uma entrevista exclusiva com a AFP no início de outubro nas florestas de Guaviere, um dos chefes guerrilheiros nesse departamento, conhecido como Aldemar, advertiu que as chamadas dissidências continuarão com a luta que, em sua visão, foi traída pelos comandantes das Farc que assinaram a paz com Santos em novembro de 2016.

"Dissidência? Não mudamos uma vírgula na parte ideológica, continuamos sendo revolucionários que buscam o poder para o povo pela via político-militar", assinalou Aldemar, de 32 anos.

Santos tenta levar à frente os acordos com o agora partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum e negocia a paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha do país.

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