Confiança na mídia cresce nos EUA em contexto de polarização

Cerca de 12% dos entrevistados disseram ter uma "grande" confiança na imprensa

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postado em 04/12/2017 15:10 / atualizado em 04/12/2017 15:15

AFP / MANDEL NGAN


A confiança na imprensa aumentou nos Estados Unidos desde a eleição do presidente Donald Trump, embora, em meio à polarização política, mais pessoas acreditem nas denúncias de "fake news" do presidente, indica uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira. A pesquisa realizada pelo Instituto Poynter mostra uma clara divisão partidária: enquanto os republicanos e partidários de Trump são céticos sobre as empresas jornalísticas, seus rivais democratas têm mais confiança.

Cerca de 12% dos entrevistados disseram ter uma "grande" confiança na imprensa, enquanto outros 37% indicaram uma confiança "limitada". Mas 39% dos inquiridos apontaram "pouca confiança" e 13% "nenhuma". Os pesquisadores compararam esses resultados com os da pesquisa Gallup, segundo a qual a confiança nos meios de comunicação passou de 32% em setembro de 2016 para 41% em setembro de 2017.
"Encorajadoramente, constatamos que o público apoia a imprensa, embora sem grande convicção. Contudo, esse resultado esconde uma polarização dramática nas atitudes em relação à mídia", indica o relatório, conduzido por especialistas das universidades de Princeton e Dartmouth nos Estados Unidos e Exeter no Reino Unido.
Quase três em cada quatro democratas expressaram confiança nos meios de comunicação em comparação com apenas 19% dos republicanos. Além disso, 44% dos entrevistados indicaram que acreditam que os veículos de comunicação inventaram histórias sobre Trump e 31% concordaram com a afirmação do presidente de que as grandes empresas de comunicação são "inimigas do povo".

Uma grande maioria (69%) afirmou que a imprensa "tende a favorecer um partido", mas a mesma porcentagem acredita que as organizações de notícias "evitam que os líderes políticos façam coisas que não deveriam ser feitas". Os autores destacaram o fato "perturbador" de que 25% dos entrevistados apoiam limitações à liberdade de imprensa, o que incluiu permitir que o governo bloqueie as notícias que considere tendenciosas ou imprecisas. "Os políticos geralmente resistem a uma cobertura desfavorável, mas os ataques públicos à legitimidade da imprensa não têm precedentes na era moderna", disseram.
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