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EUA vetam resolução da ONU contrária a decisão de Trump sobre Jerusalém

O veto solitário, apresentado pela embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, revela o isolamento de Washington

Agência France-Presse
postado em 18/12/2017 18:13

Os Estados Unidos vetaram nesta segunda-feira (18/12) um projeto de resolução da ONU que rejeitava a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, e que contou com o apoio dos demais membros do Conselho de Segurança.

O veto solitário, apresentado pela embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, revela o isolamento de Washington após o anúncio de Trump de mudar a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém, ignorando as reivindicações palestinas sobre a Cidade Santa.

"Nenhum país dirá aos Estados Unidos onde podemos colocar nossa embaixada", disse Haley após vetar a resolução.

"O que presenciamos hoje aqui no Conselho de Segurança é um insulto. Não esqueceremos disso", afirmou Haley ao descrever a medida que contou com a aprovação do resto dos membros do colegiado como "mais um exemplo de que as Nações Unidas fazem mais mal do que bem ao lidar com o conflito israelense-palestino".

Aliados-chave dos Estados Unidos que integram o Conselho de Segurança - como Reino Unido, França, Itália, Japão e Ucrânia - votaram a favor da medida ao considerar que qualquer decisão sobre o status de Jerusalém "não tem força legal, é nula, carece de validade e deve ser revogada".

O Egito apresentou o texto que assinala que o status da cidade "tem que ser resolvido pela negociação" entre Israel e os palestinos, e destaca as "profundas preocupações com as recentes decisões sobre Jerusalém", sem mencionar explicitamente a ação de Trump.

Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, França e Rússia são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e podem vetar qualquer resolução, que requer nove votos para a sua adoção.

Tomada em 6 de dezembro, a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel foi reprovada quase de forma unânime pela comunidade internacional.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, expressou gratidão aos Estados Unidos, enquanto a Autoridade Palestina qualificou de "inaceitável" o veto americano.

"Obrigada, senhora embaixadora Haley", tuitou o premiê israelense, em alusão à representante americana na ONU. "A senhora acendeu a chama da verdade. A senhora dissipou a escuridão (...) A verdade venceu a mentira. Obrigado, presidente Trump. Obrigado, Nikki Haley".

"O recurso condenável e inaceitável dos Estados Unidos ao veto ameaça a estabilidade da comunidade internacional pela falta de respeito que ela revela", afirmou à AFP Nabil Abou Roudeina, porta-voz do presidente Abbas.

O movimento Fatah, do presidente palestino, convocou manifestações dentro e ao redor de Jerusalém na quarta-feira contra a visita do vice-presidente americano, Mike Pence, à cidade.

Diante de funcionários palestinos de alto escalão, o próprio Abbas declarou em Ramallah nesta segunda-feira que teria que estar "louco" para deixar os Estados Unidos desempenharem um novo papel de mediador de paz, e prometeu retomar o esforço para o reconhecimento total de um Estado palestino pela ONU.

"Qualquer um que deixe os Estados Unidos retomarem o papel de participante ou mediador do processo de paz é um louco", assinalou.

"Estamos dispostos a retornar e retornar várias vezes ante as Nações Unidas para nos convertermos em membros completos", disse Abbas.

Em 29 de novembro de 2012, a Palestina se tornou um "Estado observador, não membro" da ONU, durante uma votação histórica na Assembleia Geral.

Israel tomou o controle da parte oriental de Jerusalém durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e vê toda a cidade como sua capital, enquanto os palestinos querem o leste como a capital de um futuro Estado.

Várias resoluções da ONU exortaram Israel a se retirar do território tomado durante a guerra e reafirmam a necessidade de acabar com a ocupação dessas terras.

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