Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) fizeram hoje (23) mais um movimento pelo afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Eles se reuniram nesta manhã e decidiram encaminhar ofício ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), para que convoque o mais rápido possível uma reunião do colegiado para analisar as quatro denúncias do senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) e a representação do P-SOL contra o presidente da Casa.
Os parlamentares também anunciaram que farão ainda hoje um novo apelo para que Sarney se afaste do cargo. “Não adianta o presidente Sarney dizer que vai tomar medidas (para apurar as denúncias), porque ele perdeu a credibilidade com a opinião pública”, disse Simon.
Quanto ao ofício a ser encaminhado ao Conselho de Ética, Simon e Cristovam admitem que dificilmente o presidente do colegiado vai atendê-los. De acordo com o peemedebista, Paulo Duque já se manifestou sobre o assunto quando disse que “a opinião pública é volúvel” e formada pela imprensa.
Para Cristovam, caso o presidente do Conselho de Ética rejeite o pedido para realização de reunião ainda no recesso, ele só vai aumentar a pressão da sociedade pelo afastamento de Sarney. O pedetista acrescentou que hoje a “blindagem” de Sarney é feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por “amigos que ainda o apoiam”.
Cristovam também comentou as informações de que o PMDB estaria preparando algumas representações ao Conselho de Ética contra senadores que defendem a renúncia de Sarney do cargo. “Os senadores têm o direito de fazer representações contra quem quer que seja. Mas, se for por represália, isso demonstra que não estão preparados para a vida parlamentar”, disse.
O senador pedetista cobrou uma explicação do peemedebista Wellington Salgado (MG), que afirmou que a ocupação de espaços, por meio de negociação de cargos, é um fato normal no Senado. O parlamentar referiu-se ao fato de gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização judicial, mostrarem conversas entre o presidente do Senado e o filho Fernando Sarney para nomeação na Casa de um namorado de uma de suas netas.
As gravações foram feitas durante a investigação realizada pelo PF e pelo Ministério Público sobre o envolvimento de Fernando Sarney num esquema de desvio de recursos públicos que desencadeou a Operação Boi Barrica, em 2006.
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