Politica

Aliados do Sarney tentam unificar as nove reclamações contra senador

postado em 29/07/2009 19:32
Aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se articulam para reunir em uma única representação as nove reclamações apresentadas ao Conselho de Ética da Casa contra o peemedebista. O grupo pró-Sarney avalia que, reunidas em um só processo, as denúncias podem vir a ser relatadas por um aliado do presidente da Casa --o que abre caminho para um possível arquivamento das acusações. Pelo regimento do Senado, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), tem autonomia para sugerir o "apensamento" das reclamações em um único processo. Depois de reunidas as acusações, um senador integrante do conselho tem que ser sorteado para relatá-las. O PSDB e o PSOL, autores das representações, e o PMDB, partido de Sarney, não podem entrar no sorteio para a escolha da relatoria. Como os aliados de Sarney são maioria no Conselho de Ética, a expectativa do grupo é que um senador da base de apoio do peemedebista seja escolhido para relatar as denúncias. Sem o apensamento, o conselho terá que sortear um relator para cada representação --o que abre brechas para que o DEM, aliado do PSDB, tenha um dos relatores indicados. Oposição A proposta de reunião das representações em uma única denúncia tem o apoio, inclusive, de senadores da oposição. Apesar de o PSDB ter protocolado nesta terça-feira três representações contra Sarney, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) prometeu sugerir que todas as nove denúncias sejam reunidas em apenas uma. "São repetições, todas as representações podem ser apensadas pelo presidente do Conselho de Ética para que ele indique um único relator. Os fatos são repetidos. O conjunto da obra é que deve ser considerado", afirmou Dias à *Folha Online*. Autor do requerimento de instalação da CPI da Petrobras, Dias teme que as acusações contra Sarney tirem os focos do trabalho da comissão --que investiga irregularidades na estatal. "Não há como reconhecer que não atrapalha. As representações reduzem o interesse geral, sem dúvida. De qualquer maneira, temos que conviver com essa realidade", afirmou. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), negou que o partido esteja rachado no que diz respeito às representações contra Sarney. "Vamos discutir isso com a bancada e não vamos ser precipitados. Acredito que podemos conciliar tanto a atuação na CPI quanto no Conselho de Ética, sem interferência em nenhum dos órgãos", afirmou. As ações contra Sarney tratam do suposto envolvimento do senador com os atos secretos, da suspeita de que teria interferido a favor de um neto que intermediava operações de crédito consignado para servidores do Senado e de ter usado o cargo para interferir a favor da fundação que leva seu nome e mentido sobre a responsabilidade administrativa da entidade. Ao propor novas representações, a oposição quer aumentar o desgaste de Sarney e enfraquecer a tropa de choque do peemedebista, que trabalha para evitar que os processos cheguem ao plenário e peçam a cassação de seu mandato.

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