Ao promover a sua primeira minirreforma ministerial, com a troca de posições entre a titular da Pesca, Ideli Salvatti, e o de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, a presidente Dilma Rousseff mandou recados aos congressistas em geral e em especial ao PT: não aceitará que os parlamentares “nomeiem” seus ministros. A partir de agora, segundo a conversa que a presidente teve ontem com aliados, a coordenação política estará em suas mãos e Ideli será a porta-voz do Planalto com os lideres partidários. Contará, ainda, com a ajuda dos ministros indicados por seus respectivos partidos, que também serão chamados a contribuir na área política. Ideli terá a missão de levar à presidente as indicações para cargos de segundo escalão, atribuição antes afeita à Casa Civil. Em relação ao PT, a presidente continuará contando com o presidente Lula para resolver problemas internos.
Ideli virou ministra na quinta-feira, depois que Dilma soube dos movimentos dos parlamentares, em especial do PT, para nomear o atual líder do governo, Cândido Vaccarezza, no lugar de Luiz Sérgio. A presidente queria dar mais uns dias para reformular a área política. Estava inclusive disposta a mudar Luiz Sérgio, mas não havia anunciado aos deputados petistas a intenção. A alguns interlocutores, foi clara: “Como estão falando em tirar o Luiz Sérgio se quem decide sou eu?”. Ontem, o ex-presidente Lula, durante encontro com o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, foi direto: “Quem conhece a presidenta Dilma vai aprender uma coisa: jamais alguém a obrigará a fazer uma coisa que ela não queira. O PT não irá impor ministério a ela como nunca impôs a mim. Da mesma forma que eu não aceito imposição, tenho certeza que ela não aceita”, afirmou.
Feita a troca nas bases do que Dilma considerou o melhor para não deixar que a briga interna do PT se transferisse para o governo (leia detalhes na análise abaixo), a presidente preparou o terreno para que a nova ministra fosse aceita. Enquanto desfilava com Ideli em Blumenau, o líder do PT no Senado, Humberto Costa, conversou com líderes aliados. Não recebeu sinal de contrariedade. Todos aceitaram, inclusive Renan Calheiros (PMDB-AL). Nos bastidores, entretanto, as afirmações eram outras. Com o compromisso de sigilo da fonte, alguns chegaram a comentar que a nomeação era “provocação” ao Congresso. Ciente de que a vida da ex-ministra da Pesca não será um mar de rosas, Dilma, ontem pela manhã, teve encontro reservado com o vice, Michel Temer; o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP); e o da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Aos três, avisou que o nome era Ideli.
Paz e amor
A troca só foi confirmada por meio de nota, às 16h. Em coletiva conjunta, Luiz Sérgio e Ideli adiantaram que estavam trocando tarefas, não responsabilidades. “A articulação e a negociação são atribuições de todos no governo. Temos a responsabilidade clara de fazer com que ações do governo cheguem a bom termo, tanto nas relações com o Congresso quanto com governos estaduais, prefeituras e sociedade”, disse Ideli. Sobre seu temperamento combativo, brincou. “Não sei se vou ser a Idelizinha paz e amor, mas prometo ouvir muito, negociar muito.” Na Câmara, a nomeação foi recebida com frustração pelos petistas, que tentavam manter o assento com a bancada. Os peemedebistas torceram o nariz nos bastidores. Em público, defenderam. “Quero parabenizar a presidente pela escolha. Nunca fui candidato a ministro e acho que a escolha é boa. Vai facilitar nosso trabalho, mas não mais do que o Luiz Sérgio já fazia”, disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), ressaltou que o importante era a nova ministra ter linha direta com Dilma — o antecessor despachava com a Casa Civil. “Esse lugar da articulação tem de ser ocupado por pessoa próxima da presidente. O importante não é o PMDB gostar, mas que o ministro ou a ministra reúna essas características”, afirmou.
Em termos de prioridade, além de reconstruir as pontes com o Congresso, a nova ministra apontou a aprovação da MP que altera o regime de licitações para obras da Copa e o Código Florestal. Depois de ser “rebaixado”, Luiz Sérgio minimizou a fritura que sofreu do partido. “O Ministério da Pesca é importante. A pesca tem peso significativo para o Rio. Eu estava ministro da Articulação e continuo ministro, só que em outra pasta.”
Dilma elogia FHC, “um democrata”
Num site a ser lançado nos próximos dias em homenagem aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a presidente Dilma Rousseff se refere ao político tucano como “um democrata desde jovem” e uma figura responsável por “importante contribuição ao país”. O site reúne depoimentos de personalidades brasileiras e estrangeiras sobre o titular do Planalto entre 1995 e 2002.
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Esta matéria tem: (8) comentários
Autor: maria eymard
Aqui em Brasilia é o PAULO TADEU. | Denuncie |
Autor: francisco manfrao
Ela decide apos o "Boss" mandar. | Denuncie |
Autor: MaurÃcio Ramos
Ela toma as decisões neste governo apático!!! | Denuncie |
Autor: henrique gomes
Onde se lê "quem decide sou eu", entenda-se: É O LULA! | Denuncie |
Autor: IRISNEI GUIMARÃES
Digo a empresa SÃO JOSE É A MELHOR EMPRESA DO DF. | Denuncie |
Autor: CLOVIS HACHUY
SERÁ??? | Denuncie |
Autor: maques bijos
O tal FHC foi quem mais ajudou o PT em todos os sentidos. Portanto, ele foi muito ruim para o País. | Denuncie |
Autor: maques bijos
Dilma envia recado ao PT: quem decide é ela. É mesmo? | Denuncie |