Politica

Passos admite que "falha" pode ter duplicado o valor de obra na BR 101

postado em 16/07/2011 13:37

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, admitiu que "falha" da equipe de planejamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pode ter causado aditivos de mais de 100% do valor de uma obra rodoviária. A afirmação do ministro foi feita ao comentar a suplementação orçamentária para a obra da BR 101, no Rio de Janeiro. O empreendimento foi licitado em R$ 20,4 milhões e além do valor global, recebeu outros R$ 25 milhões em aditivos.

Passos alegou que o grande número de vias marginais, viadutos, custos de desapropriação e remanejamentos de redes de áreas urbanas encarecem a obra. Questionado se as variáveis já não deveriam estar previstas na formação inicial do preço da concorrência, o ministro admitiu erro do departamento de infraestrutura da pasta. "Pode ter havido falha no projeto original, sim. A área de planejamento do DNIT é responsável."

O ministério convocou coletiva para explicar reportagem publicada na revista Istoé, que aponta a destinação de R$ 78 milhões em créditos suplementares para obras da pasta consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Passos deu detalhes sobre os andamentos da obra, negando que os empreendimentos estivessem em conflito com o tribunal, e disse que não há relação entre os repasses dos créditos suplementares e o financiamento de campanha do PR em 2010.

Questionado sobre a permanência de Luiz Antônio Pagot à frente do DNIT, apesar das denúncias que atingem o departamento, o ministro disse que caberá à presidente Dilma Rousseff decidir o futuro do indicado do senador Blairo Maggi (PR-MT) no cargo. "Neste momento, ele está de férias. Não posso falar de decisões que pertencem à presidente."

Histórico
A reportagem da Isto É relata que no ano passado, quando Paulo Sérgio Passos exerceu interinamente o cargo de ministro para que Alfredo Nascimento, então titular da pasta, fizesse campanha ao governo do Amazonas, liberou R$ 78 milhões em créditos suplementares para três grandes obras. Os empreendimentos, de acordo com a revista, constavam da lista de irregularidades graves do Tribunal de Contas da União, que identificou pagamentos antecipados, ausência de projeto executivo, fiscalização omissa e superfaturamento.

Várias das empreiteiras beneficiadas pelos aportes extraordinários doaram um valor de aproximadamente R$ 5 milhões a candidatos do PR durante a campanha eleitoral.

O Ministério dos Transportes bem enfrentando uma série de denúncias e passando por mudanças desde a reportagem da revista Veja sobre um esquema de cobrança de propinas na pasta. As denúncias levaram o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, pedir demissão do cargo, que agora é ocupado por Paulo Sérgio Passos. O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), Luiz Antonio Pagot, que também teve o nome envolvido nas denúncias está de férias.

Com informações da Agência Brasil

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