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Eduardo Saboia revela omissões do governo durante a fuga de Molina Punido politicamente pelo Ministério das Relações Exteriores pela fuga de senador boliviano do país andino, Eduardo Saboia presta depoimento na comissão de sindicância instaurada e revela as omissões do governo brasileiro

João Valadares

Publicação: 21/02/2014 06:00 Atualização:

Saboia cumprimenta o senador Roger Pinto Molina, em setembro do ano passado, após depoimento na 4ª Vara de Justiça: último encontro público (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 11/9/13)
Saboia cumprimenta o senador Roger Pinto Molina, em setembro do ano passado, após depoimento na 4ª Vara de Justiça: último encontro público


Escanteado no Itamaraty e punido politicamente pela decisão tomada, o diplomata Eduardo Saboia, que comandou a operação de retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia, em agosto do ano passado, prestou um longo depoimento na terça-feira à comissão de sindicância instaurada para apurar a sua conduta. Durante oito horas, ele contou detalhadamente o passo a passo da fuga e apresentou provas de que o governo brasileiro teria sido alertado de maneira recorrente sobre a situação crítica do senador na embaixada e que, mesmo assim, omitiu-se em relação ao caso. E-mails, telegramas e notas trocadas entre a embaixada brasileira na Bolívia, o Itamaraty e a Presidência da República serviram como base na tentativa de mostrar que não houve quebra de hierarquia.

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O depoimento de Saboia encerrou o trabalho investigativo da comissão. A linha adotada pelo diplomata foi a de que não descumpriu absolutamente nenhuma determinação. Durante o testemunho, ele alegou que “entre um risco calculado em trazer o senador para o Brasil, e permanecer com ele na embaixada, era mais coerente tomar uma decisão que salvaguardasse a vida do senador”. O diplomata deixou evidenciado que ficou desamparado pelo governo brasileiro e que o problema (a permanência de Pinto Molina na embaixada) estava exclusivamente nas mãos dele. Saboia alegou que não havia necessidade de avisar sobre a operação de fuga em si.

Agora, a comissão de sindicância, formada por dois embaixadores e um auditor da Receita Federal, deve concluir o parecer até o carnaval. Após esta etapa, o relatório será encaminhado à Corregedoria do Serviço Exterior para homologação ou não. O teor da investigação é mantido em sigilo. Se o parecer apontar qualquer desvio ético por parte do diplomata, será aberto um processo administrativo disciplinar (PAD) que pode gerar, no grau mais severo de punição, a exoneração do servidor público.

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Autor: Roni Vedovo
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