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Anões do Orçamento: vinte anos depois, apenas um assessor está preso José Carlos Alves dos Santos, de 72 anos, tem o sentimento de injustiça tem a ver com o tamanho da pena

Renata Mariz

Publicação: 07/04/2014 06:15 Atualização:

José Carlos Alves dos Santos, em depoimento à CPI que investigou o desvio de verbas do Orçamento, em 1993 (Jefferson Rudy/CB/D.A Press)
José Carlos Alves dos Santos, em depoimento à CPI que investigou o desvio de verbas do Orçamento, em 1993


Pouco sobrou do homem de hábitos caros, respeitado profissional da área de orçamento do Senado. Na cela que divide com outros detentos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde o último dia 13, José Carlos Alves dos Santos, de 72 anos, não tem nenhuma notoriedade. É só mais um. Mas, do esquema de desvio de dinheiro conhecido como escândalo dos Anões do Orçamento (referência à baixa estatura dos parlamentares envolvidos, todos membros da Comissão Mista de Orçamento), foi o único protagonista a parar atrás das grades. Hoje, se o fantasma da prisão que o rondava havia décadas chegou ao fim, um mieloma múltiplo, tipo de câncer na medula que ainda não se manifestou, é o novo temor de Santos.

A falta de sensibilidade nas mãos, devido à incapacidade do organismo de metabolizar a vitamina B-12, é o sinal mais evidente do estado de saúde do ex-consultor do Senado, condenado por corrupção passiva e preso 21 anos depois de delatar o esquema que funcionou no Legislativo federal. Nem ele próprio, que ajudou a cassar seis parlamentares, nem os parentes mais próximos, que só falam sob a condição de anonimato, questionam a condenação. O sentimento de injustiça tem a ver com o tamanho da pena — 10 anos e 1 mês em regime fechado — e com o fato de os poderosos, quatro congressistas envolvidos no escândalo, terem se safado, especialmente via renúncia de mandato.

Desde que teve o rosto estampado em jornais e revistas de todo o país por dois escândalos — condenação pela morte da primeira mulher, Ana Elizabeth Lofrano, crime do qual ele sempre alegou ser inocente e que o levou a ficar quase seis anos preso, e o esquema de corrupção envolvendo políticos, empreiteiras e laranjas que movimentou mais de R$ 100 milhões em emendas ao Orçamento da União entre a década de 1980 e o início dos anos 1990 —, José Carlos optou pela discrição. “Ele é uma pessoa pacata, cordata, introspectiva. Acho que 80% da igreja nem sabem que ele está preso nem o identificam como uma pessoa associada ao fato que ocorreu há tanto tempo no Senado. Hoje, ele é um ancião, com a saúde frágil”, descreve o pastor Hércio Fonseca, presidente da igreja evangélica que o condenado frequentava havia pelo menos oito anos, no Lago Norte, até ser preso.

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Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Eduardo ferreira santos
Outro exemplo da bandalheira dos políticos. | Denuncie |

Autor: geovani pessoa
Pelos estragos que ele fez, seria prisão perpétua em qualquer pais civilizado. | Denuncie |

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