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Sepultamento de Eduardo Campos leva 160 mil pessoas às ruas O ex-governador de Pernambuco foi enterrado em meio a uma forte comoção. Milhares de pessoas acompanharam o cortejo com o corpo do pessebista pelas ruas de Recife. Com autoridades, velório também teve cunho político

João Valadares - Enviado Especial

Denise Rothenburg - Enviada Especial

Publicação: 18/08/2014 10:32 Atualização: 18/08/2014 10:52

Recife — Com o povo consternado nas ruas, Pernambuco enterrou ontem o seu maior líder. Mais do que isso. Em dia histórico, que parecia não acabar, os pernambucanos viram nascer um novo mito. Eduardo Henrique Accioly Campos, 49 anos, pai de cinco filhos e dono de um estilo admirado até por adversários, recebeu a maior e mais intensa homenagem que o estado já viu. Mais de 160 mil pessoas foram às ruas. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi quem melhor resumiu o tamanho da dor. “Só vi algo assim na morte de Getúlio e de Tancredo Neves.”

De madrugada, uma multidão esperou acordada nas esquinas a passagem do carro do Corpo de Bombeiros que conduzia o caixão até o Palácio do Campo das Princesas. Ao choro, misturou-se o grito de “Eduardo, guerreiro do povo brasileiro”, repetido exaustivamente até as 18h37, quando o caixão de Campos desceu à sepultura, ao lado do jazigo do avô, Miguel Arraes de Alencar.

A reverência virou ato político. A imagem de Eduardo serviu de ímã da comoção para potencializar eleitoralmente Marina Silva e o candidato ao governo de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Panfletos eram distribuídos. Ao lado de Renata Campos e dos filhos, os dois acenavam para a multidão. “Agora é tudo ou nada. Marina e Renata”, gritava o povo. O PSB espalhou estrategicamente carros de som durante o trajeto do cortejo que levou o caixão de Eduardo Campos do Palácio do Campo das Princesas até o Cemitério de Santo Amaro. Camisas com a frase “não vamos desistir do Brasil” foram distribuídas. Candidatos proporcionais tiravam “selfies” ao lado da viúva e do caixão.



A presidente Dilma Rousseff, junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao velório às 10h. Ela recebeu vaias. A maior estrela petista, que conseguiu preservar a relação pessoal com Eduardo mesmo em campos opostos, segurou Miguel, filho mais novo do pessebista, nos braços. Confortou a viúva de Campos e os filhos. Comentou reservadamente com amigos que estava arrasado pela tragédia ocorrer justamente no momento em que as circunstâncias políticas não permitiam que os dois estivessem próximos.

Após a missa, celebrada pelo arcebispo de Olinda e de Recife, dom Fernando Saburido, os dois foram embora. No caminho, Lula abraçou o vice de Aécio Neves, senador Aloysio Nunes Ferreira. Parou para tirar fotos com funcionários do palácio e entrou no carro com a presidente.

Renata Campos permaneceu durante quase todo o tempo ao lado do caixão. Uma foto de Eduardo Campos sorrindo era contemplada por ela em alguns momentos. Os filhos se abraçavam e repetiam os gritos ecoados pela multidão. Pareciam fortes. Aécio Neves, que trocou cumprimentos com Lula e Dilma, ressaltou a solidez da família Campos. “É impressionante. Não me peçam para falar de política. Quando liguei para Renata, no dia do acidente, ele me disse que Eduardo era alegria e força”, informou. Às 16h30, o cortejo com os restos mortais de Campos deixou o Palácio do Campo das Princesas. A multidão se espremia para acompanhar tudo de perto. Após as autoridades políticas nacionais deixarem o local, Eduardo recebeu uma homenagem genuinamente pernambucana. Os compositores Alceu Valença, Maciel Melo e Petrúcio Amorim cantaram músicas de que o ex-governador de Pernambuco gostava.

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Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: jose pereira
garanto que a maioria que foram ao velorio não iriam de ipotese alguma votar para o candidato. | Denuncie |

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