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Candidatos discutem temas polêmicos no segundo bloco do debate Entre os assuntos debatidos estão as manifestações de junho, medidas impopulares após as eleições e as relações internacionais

Étore Medeiros

Publicação: 26/08/2014 22:55 Atualização: 27/08/2014 00:04

Com as perguntas feitas de candidato para candidato, o segundo bloco do debate presidencial na TV Bandeirantes teve discussões mais quentes. A ex-senadora Marina Silva (PSB) perguntou à presidente Dilma Rousseff (PT) sobre os cinco pactos propostos após as intensas manifestações de junho de 2013. "Nada disso (pactos) funcionou. O que deu errado?", provocou Marina.

"Eu considero que tudo deu certo", rebateu Dilma, enumerando os cinco pactos prometidos após os protestos. Sobre a reforma política, disse que qualquer mudança nessa área requer participação e consulta popular, por meio de plebiscito. "Só a força do povo brasileiro é capaz de transformar as instituições políticas". A presidente garantiu ainda que a inflação "está diminuindo sistematicamente" e Marina criticou Dilma por não reconhecer os problemas enfrentados pelo país. "Quando a gente não os reconhece, não passa nenhuma esperança à população de que eles serão resolvidos."

Em seguida, foi a vez de Dilma questionar Aécio Neves (PSDB) sobre quais "medidas impopulares" ele pretende tomar, como anunciou. "Tenho dito de forma clara que estamos preparados para fazer o Brasil voltar a crescer", respondeu Aécio. Mudando de tema, disse que a indústria foi sucateada nos governos petistas, e que 1,2 milhão de postos de emprego com salários acima de dois salários mínimos teriam sido eliminados. "O governo que a senhora comanda perdeu a capacidade de gerar confiança, credibilidade", observou. Aécio criticou ainda o intervencionismo do Estado na economia.



"O governo do PT surfou e se valeu muito das reformas feitas no governo FHC, mas a bendita herança acabou, e os brasileiros estão muito preocupados com o futuro que os espera", atacou Aécio. "A verdade, candidato", rebateu Dilma, "é que o governo do PSDB quebrou o Brasil três vezes. Na verdade, nós geramos no meu governo, em 3 anos e 8 meses mais empregos do que vocês geraram em oito anos. Os números não podem ser enganosos, e o fato é que o governo do PSDB cortou salários e deu tarifaços".

Aécio, em seguida, provocou Dilma ao lembrar da carta que ela enviou, no passado, a FHC o cumprimentado pela estabilidade econômica. O mineiro listou iniciativas tomadas durante o governo FHC, como a estabilidade da moeda, "sempre contra a ação do PT", a Lei de Responsabilidade Fiscal, a modernização da economia, "a privatização de setores que deveriam há muito tempo estar fora do alcance do Estado", e os programas sociais iniciados naquela gestão. "Reconhecer outros governos é um gesto de grandeza que tem faltado ao seu governo", criticou.

Pastor Everaldo, na sequência, criticou Dilma pelo governo federal ter "mandado dinheiro do trabalhador brasileiro para Cuba". A presidente disse que o Brasil assume nas relações internacionais "a responsabilidade de ser a maior potência regional na América Latina". "É muito positivo financiar atividades de empresas brasileiras, abrindo portos lá em Cuba, que, aliás, vão ser geridos por empresas internacionais holandesas", explicou Dilma.

Eduardo Jorge (PV) entrou então em um dos temas que pautaram as eleições presidenciais de 2010, o aborto, pedindo o posicionamento de Aécio Neves sobre o assunto. "A legislação atual deve ser mantida", disse o tucano, que defendeu "mais informação, sobretudo para adolescentes de baixa renda, que não tem acesso a anticoncepcionais". Jorge rebateu dizendo que "a legislação é cruel. Ela coloca 700 mil, 800 mil mulheres à própria sorte, buscando clínicas clandestinas, ficando com sequelas físicas e psíquicas". Na tréplica, Aécio disse ser necessário ampliar a discussão em saúde pública. "Desde que o PT assumiu, os recursos do governo federal tem diminuído proporcionalmente."

Na sequência, foi a vez de Aécio Neves questionar Marina Silva sobre posicionamentos contraditórios da ex-senadora: "A nova política não precisa ter uma boa dose de coerência?", cutucou. "Me sinto inteiramente coerente", garantiu Marina, que defendeu a "nova" política para, em seguida, criticar a "velha polarização que há 20 anos tem se constituído em um grande atraso para o nosso país", em referência aos governos do PT e do PSDB. "Quando eu disse que não iria subir nos palanques que não havia acordado com o saudoso Campos, mantive a coerência", lembrou. "Quando digo que quero governar com os melhores do PT, do PSDB, é porque reconheço que existem pessoas boas na maioria dos partidos, mas eles estão no banco de reserva. E a sociedade que se mobilizou vai escalar uma nova seleção", continuou a ambientalista.

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O candidato Levy Fidelix (PRTB) prometeu "bombardear a dona Marina" e perguntou sobre o empresário Guilherme Leal, aliado de Marina, que teria grandes dívidas com o Fisco, se isso não seria uma contradição. "Não vejo contradição. O problema do Brasil não é a sua elite, é a falta de elite. A elite não é quem tem dinheiro". Marina citou o índio Davi Yanomami e o seringueiro Chico Mendes como pessoas da elite, embora sem vultuosos recursos financeiros. A ambientalista prometeu governar "unindo o Brasil, não apartando o Brasil, com pessoas de bem, honestas e competentes de todos os setores. É com elas que eu vou governar".

"O senhor não se sente responsável pelas mortes de homossexuais, resultado de preconceito?", atacou Luciana Genro (Psol) sobre o bloqueio da bancada evangélica ao kit de conscientização sobre a homossexualidade apelidado jocosamente de "kit gay". "Nunca tive preconceito, nunca fui responsável por morte nenhuma", respondeu Everaldo (PSC).

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