política
  • (5) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

"Temos um problema grave: falta um projeto de nação", diz Dom Damasceno Em entrevista ao Correio, o cardeal também critica os padres candidatos e o desrespeito à Lei da Ficha Limpa

Diego Amorim

Publicação: 01/09/2014 07:19 Atualização: 01/09/2014 08:13

'O que temos tentado fazer é encorajar os eleitores. Não se pode continuar com o pensamento de que 'política é coisa de ladrão e corrupto'', afirma (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press)
"O que temos tentado fazer é encorajar os eleitores. Não se pode continuar com o pensamento de que 'política é coisa de ladrão e corrupto'", afirma


O Brasil carece de um “projeto de nação”, no entender do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno. A pouco mais de duas semanas do debate de presidenciáveis organizado pela entidade — marcado para o próximo dia 16, em Aparecida (SP) —, o cardeal concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio e disse que não adiantam iniciativas isoladas por parte de quem está à frente do país. “Temos um problema grave: falta um projeto de nação”, disparou, evitando críticas diretas ao atual governo.

Reafirmando a postura neutra da Igreja na corrida eleitoral, dom Damasceno avaliou que teve “pouco contato” com a presidente Dilma ao longo do mandato e lembrou que o eleitor é livre para fazer as próprias escolhas. “Não há acepção de pessoas”, pontuou, quando perguntado sobre se há orientação para que católicos votem em candidatos da mesma religião. “A orientação é para que se vote em sintonia com valores e princípios que defendemos”, acrescentou.

O presidente da CNBB não acredita que temas como aborto e casamentos entre pessoas do mesmo sexo tenham um peso grande nestas eleições. “Todos já sabem o que a Igreja pensa”, justificou ele, que também cobrou coerência dos “políticos de fé”. De maneira firme, dom Damasceno, amigo do papa Francisco, afirmou que a Igreja Católica não se preocupa em fortalecer bancada no Congresso Nacional. “Não precisamos dessa divisão”, sublinhou. Confira os principais trechos da entrevista, em que o cardeal também critica os padres candidatos e o desrespeito à Lei da Ficha Limpa.

Leia mais notícias em Política

A Igreja Católica, mesmo que não oficialmente, tem candidato a presidente da República?
Não. A Igreja respeita a liberdade do eleitor e convida as pessoas de fé a não terem medo da política.

Mas há preferências. Não existe um candidato que se encaixe melhor nesse perfil?
Não assumimos posição político-partidária. O que temos tentado fazer é encorajar os eleitores. Não se pode continuar com aquele pensamento de que “política é coisa de ladrão e corrupto”, “política não presta” ou “quem entra na política se corrompe”. São estereótipos que vamos repetindo e não resolvemos nada. Somos todos responsáveis pelo bem comum. Não podemos fugir dessa responsabilidade. Temos uma condição de cidadãos. Somos, portanto, essencialmente políticos.

Por que tantos padres têm se candidato, mesmo com a posição oficial contrária da Igreja?
Eu diria que é uma forma de fugir do próprio ministério. E é por isso que padres não devem se candidatar: porque temos um ministério religioso a exercer, uma função muito própria. Ser político não é uma atividade compatível com a vida sacerdotal.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: fabio ribeiro
D.Raymundo Damasceno, quem te viu, quem te vê!!! Seu mestre foi D. José Newton, grande defensor do regime autoritário. O senhor também foi colega do D. Ávila, capelão militar do Brasil... Parabéns pela guinada em sua postura política. Ficou melhor assim!!! | Denuncie |

Autor: José Santos
O Estado é laico, por isso, representantes da igreja ñ dá pitaco em questões políticas ñ! Parte do nosso atraso, deve-se à interferência da igreja católica... | Denuncie |

Autor: Murilo Radicchi
Nem no clero podemos mais confiar, eles estão seguindo a mesma escola dos políticos, Dom Raymundo afirma que a CNBB não tem posição político-partidária. Mas não é isso que vem acontecendo: "Em nota oficial PT afirma receber apoio de membros da CNBB para sua militância" | Denuncie |

Autor: Jl Madeira
Esse Dom Damasceno é um poço de contradição. Ora, foi a Igreja Católica que tornou possível a Teologia da Libertação, onde o PT mais encontrou apoio e cresceu nas comunidades eclesiais de base, ganhando corpo no meio religioso, inclusive entre os protestantes. | Denuncie |

Autor: jose abel brina olivo
O caminho de projeto de Estado passa necessariamente pela profissionalização do Estado. O Estado não pode ser dirigido por amadores que alternam-se periodicamente. | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

PUBLICIDADE

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

PUBLICIDADE



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas