Politica

PT avalia desistir de candidatura ao Planalto nas eleições de 2018

Fracasso nas eleições municipais, Lava-Jato e possibilidade de Lula virar ficha suja levam petistas a buscar alternativas para a Presidência; Ciro Gomes é uma delas

Paulo de Tarso Lyra
postado em 09/10/2016 06:00

Lula e Ciro Gomes em 2005. À época, Ciro era ministro da Integração Nacional

A derrota fragorosa nas eleições municipais e a pressão da Lava-Jato sobre Luiz Inácio Lula da Silva, a principal estrela do partido, pode levar o PT a uma escolha considerada inimaginável: abrir mão de uma candidatura própria ao Planalto em 2018 e apoiar o nome de Ciro Gomes, hoje filiado ao PDT. Se isso acontecer, será a primeira vez, desde 1989, que o principal partido de esquerda do país não terá a cabeça de chapa na disputa presidencial. As conversas ainda não chegaram ao nível de cúpula partidária, mas começam a correr nas instâncias mais básicas do partido e em outras legendas que disputarão a presidência com o PT.

Um grande empecilho para o início oficial do debate é que o próprio Lula ainda não autorizou esse caminho. Mesmo réu em dois processos da Lava-Jato, os petistas acreditam que o ex-presidente não será preso neste momento. Mas isso não significa que ele poderá ser candidato. A avaliação interna é de que ele será condenado pela Justiça Federal, o que o enquadraria na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível.

O medo do PT é tomar uma decisão de maneira tão antecipada. ;Ciro vai se viabilizar realmente como candidato? Ele já demonstrou em outros momentos disposição para a tarefa, mas acabou sucumbindo às próprias palavras;, afirmou, temeroso, um interlocutor petista. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, está de braços abertos à espera dos petistas. ;Não houve uma conversa formal nesse sentido, apenas expectativas. Mas posso dizer que seria um caminho natural;, destacou Lupi. ;Ciro tem bom trânsito na esquerda, um recall interessante perante o eleitorado e, mais importante, não tem máculas em sua trajetória;, completou o pedetista.



O grande dilema é saber se, de fato, o PT está maduro para uma decisão como essa. A legenda tem uma tradição hegemônica, embora enfrente o pior momento de sua história recente. Lula tem o Ministério Público e a Polícia Federal em seu encalço, a ex-presidente Dilma Rousseff foi afastada por acusação de crime de responsabilidade. O discurso sindical do partido, diante dos tempos modernos, tornou-se obsoleto. E o eleitorado parece pouco disposto a ouvir o que a legenda tem a dizer.

Ainda assim, o PT tem dificuldades para se autoanalisar. ;Sim, cometemos nossos erros e precisamos pagar por eles. Mas por que só cobram de nós? Por que os outros partidos não são obrigados a purgar pelos equívocos?;, afirmou o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, em recente reunião com parlamentares petistas. Cada vez mais, na base partidária, essa postura passiva incomoda. ;É uma intervenção de alguém que não tem a mínima noção para onde precisamos ir. É ridículo querer cobrar que o PMDB e o PP tenham a mesma atitude que nós;, atacou uma liderança petista.


A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação