SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Crivella volta ao centro das polêmicas com divulgação de vídeo antigo

"Os evangélicos ainda vão eleger um presidente da República, que vai trabalhar por nós e por nossas igrejas", diz Crivella, no vídeo

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

A vida religiosa do candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB-RJ), voltou a ser notícia. Em vídeo divulgado na madrugada de hoje (21/10) pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL – RJ), Crivella, que é Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, ministra um culto e diz que um dia o presidente da República será alguém que trabalhará pelos evangélicos.

“Os evangélicos ainda vão eleger um presidente da República, que vai trabalhar por nós e por nossas igrejas”, diz Crivella, no vídeo. A publicação está no YouTube desde 2014, mas voltou à tona agora por causa das eleições. No vídeo, Crivella ainda diz que os evangélicos vão cumprir 'a missão que há dois mil anos é o maior desafio da igreja'. “Levar o evangelho a todas às nações da Terra”, afirma.

Procurado pelo Correio, o candidato Crivella afirmou que agressão política é uma prática de quem não tem argumentos para vencer. “Ao divulgar conteúdos fora de contexto, a campanha do Freixo está tentando misturar assuntos que não competem a discussão eleitoral, com o objetivo claro de asfixiar o debate político, tomando espaço na mídia que deveria ser ocupado com as propostas para melhorar a vida dos cariocas”, justificou.

 

Leia mais notícias em Política

 

Para o cientista político da Universidade de Brasília, Wladimir Gramacho, trazer elementos do passado para as eleições é muito comum. “Não é uma parte muito bonita da política, mas fazer parte do jogo eleitoral”, explica. Segundo o professor, há pesquisas que mostram que o candidato alvo das críticas pode perder votos. “Mas isso não significa que o agressor ganhará. A prática demonstra cinismo e provoca distanciamento dos eleitores”. No entanto, a última pesquisa do Ibope mostra que diminuiu a diferença entre Crivella e Marcelo Freixo (PSOL-RJ). O candidato do PRB estava com 51% das intenções de votos e agora tem 46%, enquanto Freixo tinha 25% e subiu para 29%.

Essa não é a primeira polêmica na qual o candidato à prefeitura se envolve. No início da semana, o livro “Evangelizando a África”, de autoria do Bispo Crivella, se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Na publicação, ele diz que a Igreja Católica e outras religiões que se denominam cristãs pregam “doutrinas demoníacas”. O livro aborda, ainda, a homossexualidade, classificada, por ele, como “conduta maligna” e de “terrível mal”. Por nota, o senador licenciado pediu desculpas aos religiosos, “se alguma vez os ofendi, perdão. O mesmo em relação à homossexualidade”, acrescentou.

Bancada

A mistura entre política e religião gera críticas por defensores do Estado laico. O professor Wladimir Gramacho afirma que a organização dos grupos religiosos é preocupante. Para ele, a religião trata de crenças, profundas e arraigadas. “São verdades que as pessoas não discutem”, diz. Em contraponto à religião, política e democracia “devem estar ancoradas em espaço de críticas, avaliação e diálogo”, justificou. A Frente Parlamentar, conhecida como Bancada Evangélica, possui atualmente 87 deputados federais e três senadores. O especialista acredita que uma pessoa com religião pode estar na política, da mesma forma com que aquela que não tem. “O crescimento da bancada evangélica deve ser observado por todos com cautela”, ponderou.

O cientista político da UnB, Paulo Kramer, afirma que o “Estado é laico, mas não significa que os políticos precisem ser”. O especialista acredita que antes da instalação da República, grandes nomes ligados à religião ajudaram na criação de leis. “O que a Constituição proíbe é uma teocracia”, acredita. Segundo ele, falta bom senso por parte de alguns políticos religiosos. 'Fanatismo e desrespeito às outras religiões” fazem parte do comportamento equivocado de alguns parlamentares. Ele lembra que a discriminação é proibida pela Constituição e crime.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.