Politica

Para Michel Temer, embaraço da Operação Carne Fraca "será superado"

Presidente Michel Temer minimizou a crise dos frigoríficos e disse que ligará nesta sexta para o presidente da China para conversarem sobre o assunto

Rosana Hessel
postado em 23/03/2017 13:34

Temer:

O presidente Michel Temer minimizou a crise dos frigoríficos com a Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira e que já tem impacto nas exportações de carne brasileira. Ele classificou o incidente como "pequeno e grave" e destacou a atuação conjunta de várias autoridades do governo para tentar estancar a sangria da polêmica das carnes, que atinge uma "pequena parcela" de plantas frigoríficas e de servidores do Ministério da Agricultura, que ;serão punidos".

;O governo se mobilizou contra o que poderia se transformar em um evento internacional desastroso;, disse ele, citando o encontro no último domingo (19/3) com os representantes dos principais importadores de carne brasileira. E acrescentou que nesta sexta-feira (24/3) ligará para o presidente chinês, Xi Jinping, para esclarecer mais dados. "Esse embaraço pode causar prejuízo ao Brasil e será superado", garantiu.

Temer ainda voltou a defender as reformas para a retomada do crescimento do país. ;Precisamos equilibrar as contas públicas e por isso as reformas não podem ficar paralisadas;, disse ele poucos dias após recuar no texto da reforma da Previdência, retirando da proposta os servidores estaduais e municipais. Ele definiu que a palavra-chave de sua gestão é o diálogo. ;O diálogo é a força mobilizadora do nosso governo;, disse.

Portal Único

Temer participou na manhã desta quinta-feira feira (23/3) do relançamento do Portal Único de Comércio Exterior, em cerimônia no Palácio do Planalto, que começou a ser operado hoje apenas no modal aéreo e em alguns aeroportos brasileiros. O primeiro lançamento desse portal foi feito durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que é uma das exigências do acordo de facilitação do intercâmbio comercial assinado pelos países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro de 2013 durante o encontro anual da entidade em Bali, na Indonésia, e que entrou em vigor no mês passado.

[SAIBAMAIS]Em dezembro de 2016, quando anunciou o pacote das 10 medidas recicladas para estimular a economia, o Portal Único foi lançado pela segunda vez pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A ideia do portal é integrar todos os órgãos anuentes em uma única plataforma digital para agilizar os processos de desembaraço dos embarques e desembarques de mercadorias no país. A expectativa do governo é reduzir em 40% o tempo dos processos de exportação e de importação no país a partir de 2018, quando todo o portal estiver em pleno funcionamento.

Por enquanto, o portal ainda está na primeira etapa, pois ele não está totalmente integrado com todos os 22 órgãos anuentes ligados às exportações e importações do país. Apenas o dois deles estão interligados ao portal: o Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e a Receita Federal. Os demais órgãos, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) serão integrados ao longo do ano. Em abril, a integração ocorrerá no modal marítimo, pelo qual são transportadas 80% dos produtos comercializados pelo país com o resto do mundo.

A expectativa da entidade e do governo é que, a partir do próximo ano, quando o portal estiver totalmente integrado, o tempo para as exportações caia de 13 para oito dias e, para as importações, de 17 para 10, o que colocará o país na média dos países desenvolvidos. Além disso, esperam que o número de informações exigido na exportação caia de 96 para 36.

Economia

De acordo com o ministro do Marcos Pereira, do Mdic, um estudo feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a integração total do Portal Único poderá incrementar US$ 23,8 bilhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do país. ;Será possível um ganho de até 2% do PIB e um incremento de 6% a 7% na corrente de comércio do país;, garantiu.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reconhece que, nessa primeira etapa, já estão sendo percebidos avanços nos processos uma vez que a burocracia alfandegária eleva os custos do comércio exterior entre 0,6% e 2,1%. ;O grande diferencial do Portal Único é simplificar e desburocratizar os processos para torná-los mais ágeis, permitindo dar mais segurança e transparência para o comércio exterior brasileiro;, disse o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

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