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Correio Braziliense

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Depoimentos de João Santana e Mônica Moura fecham o cerco contra o PT

Possível delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci também pode prejudicar a sigla; integrantes da legenda analisam os pontos mais vulneráveis de Lula

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postado em 19/04/2017 06:00 / atualizado em 19/04/2017 00:45

Rodrigo Felix/Futura Press/AE - 1/8/16
 
O depoimento do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, ontem, somado à decisão unânime da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de negar o habeas corpus a Antonio Palocci, aproxima o ex-ministro de um acordo de delação premiada. As tratativas estão abertas, com propostas de ambos os lados. Se o acordo se consolidar, aperta-se ainda mais o torniquete contra o PT e os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Um cenário sombrio para o partido a 15 dias do depoimento de Lula ao mesmo Sérgio Moro.
 
 
Palocci estará amanhã diante do juiz da Lava-Jato. E terá de confrontar a acusação feita por João Santana e Mônica Moura de que era o ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma que intermediava os pagamentos, via caixa dois, para os marqueteiros, com recursos vindos da Odebrecht. É a confirmação do “Italiano” já citado pelo ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht em depoimento ao mesmo Moro.
 
Marcos Bezerra/Futura Press - 26/9/16
 
“O meu interlocutor para discutir valores e negociar campanha sempre foi o Palocci. Depois que acertava comigo o valor da campanha, ele me dizia: ‘então, vai ser pago ‘xis’ por dentro, isso você acerta com o tesoureiro. E essa parte por fora, o partido vai pagar tanto e a Odebrecht vai colaborar com tanto’. E ele me dizia: ‘vá lá e acerta com eles (Odebrecht), como você quer’”, confirmou Mônica.

O ex-ministro, preso em Curitiba desde 26 de setembro, vem sendo muito pressionado pela família, especialmente pela mulher, para que feche o acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, é contra o procedimento e já ameaçou abandonar o cliente caso aceite a proposta do MP, que poderia lhe livrar de uma temporada na cadeia e ainda trazer outras vantagens.

O PT está em pânico, com medo de Palocci. Eles tentam se apoiar no histórico de que até agora nenhum cacique do partido fechou acordo de delação — o único que cedeu às pressões do Ministério Público Federal foi o ex-senador Delcídio do Amaral. Mas os exemplos postos à mesa — João Vaccari Neto e José Dirceu — têm perfis completamente distintos.

Vaccari é mochileiro, nas palavras de um dirigente partidário, acostumado a comer “pão com mortadela”. Já Dirceu, embora mais acostumado às benesses financeiras e a uma vida mais luxuosa, já foi guerrilheiro, morou em Cuba. Logo, estaria mais disposto a aguentar a pressão. Palocci, não. Ele sempre foi visto como alguém mais refinado, ligado ao mercado financeiro e ao PIB paulistano. E ainda suscetível às pressões da mulher para diminuir o tempo de prisão.

Por isso, o partido já fez uma lista de vulnerabilidades do ex-presidente Lula. Na avaliação de integrantes do partido, a fragilidade não estaria no sítio em Atibaia ou no tríplex do Guarujá. O que pode complicar a vida de Lula seriam os incentivos fiscais e desonerações concedidos ao longo de seu governo, como os mimos à indústria automotiva e aos produtos da linha branca, aprovados em medidas provisórias que poderiam ter gerado contrapartidas para campanhas eleitorais.

E quem era o responsável pela política de incentivo à economia? Palocci. Além disso, a percepção é de que ele só tem outro trunfo para convencer os agentes da Lava-Jato a aceitar uma delação: destrinchar a atuação do setor financeiro no esquema de corrupção investigado. “Se formos lembrar, o Banco Rural e o BMG não se recuperaram ainda totalmente do mensalão. E, nessa atual crise, apenas o BTG Pactual foi envolvido”, alertou um petista.

Sentença

Todo esse cenário aumenta a tensão em relação ao depoimento de Lula, marcado para 3 de maio, em Curitiba. Claques dos dois lados — petistas e adversários do PT — estão convocando militantes para acompanhar o face a face de Lula com Moro. “Estamos estudando se haverá uma comitiva de senadores para acompanhar o depoimento”, admitiu o senador Jorge Viana (PT-AC).

“Como as pesquisas estão sendo boas para Lula, eles vão querer apertar esse cerco. Prender eu não acredito, mas vão fazer de tudo para tornar Lula inelegível”, reclamou o senador Paulo Rocha (PT-PA). Um espectador privilegiado do processo não acredita que um eventual pedido de prisão ou condenação de Lula ocorra em um tempo próximo. “Moro sabe lidar com a pressão e com o jogo midiático. Lula só será condenado em um prazo mais próximo da eleição”, aposta um jurista.

Em outra derrota considerável, o relator do processo de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Herman Benjamim, negou ontem o pedido da defesa da ex-presidente de ter acesso à delação premiada do casal de marqueteiros. Alegou que a delação está em segredo de justiça e que os marqueteiros vão depor na semana que vem no TSE.

A situação de cada um

 

Justiça Federal em Curitiba encurrala o PT


» João Santana e Mônica Moura
Os marqueteiros prestaram depoimento ontem ao juiz Sérgio Moro. Os dois já fecharam acordo de delação premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Eles podem destrinchar as campanhas de Lula e Dilma. Os dois também serão ouvidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima semana

» Antonio Palocci
Ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff vai ser ouvido amanhã. O PT teme que ele acerte um acordo de delação premiada com o Ministério Público e complique ainda mais a vida dos ex-presidentes petistas

» Lula
Ex-presidente depõe a Sérgio Moro no próximo dia 3. Evento deve ser marcado por claques de lado a lado. Defesa do petista pediu 87 testemunhas no processo. Moro aquiesceu, mas determinou que Lula esteja presente em todas as audiências

Caixa dois está em “todas as campanhas”

A empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, admitiu ontem ao juiz federal Sérgio Moro o uso de caixa dois “em todas as campanhas”. E disse acreditar que “todos os marqueteiros” trabalhem com pagamentos não contabilizados. “Todas as campanhas políticas que nós fizemos (...), quando eu era apenas uma funcionária de outras campanhas, de outros marqueteiros, sempre trabalhamos com caixa dois, com recursos não contabilizados”, afirmou Mônica. Ela disse ainda que o marido sabia da movimentação financeira. “Tudo o que eu fazia, eu me reportava a ele, óbvio. Ele sabia de tudo.”


Pedido feito por Lula

O ex-marqueteiro do PT João Santana disse ontem ao juiz Sérgio Moro que fez a campanha presidencial em El Salvador a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com dinheiro de caixa dois oriundo da Odebrecht. “Houve recebimento de pagamentos não contabilizados?”, quis saber Moro. “Houve, constante, aliás como é uma prática no mercado de marketing-político eleitoral, no Brasil e em boa parte do mundo.” “Houve pagamento não contabilizado proveniente do Grupo Odebrecht?”, perguntou o magistrado. “Sim, sim, bastante”, respondeu.
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carlos
carlos - 19 de Abril às 09:16
ENGRAÇADO QUE A LAVA JATO E O SR. MORO NÃO PRENDEU NENHUM LARANJA-TESOUREIRO DO DEM E PSDB!