Mesmo após Temer garantir que não renuncia, país vive forte instabilidade

Bolsa de Valores fechou em queda, dólar disparou e partidos da base aliada ameaçam deixar o governo do peemedebista por conta das revelações feitas na delação de Joesley Batista

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Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


O país ferveu em mais um dia de aguda crise política deflagrada após o vazamento da delação do empresário Joesley Batista envolvendo o presidente Michel Temer e o agora presidente licenciado do PSDB e senador afastado, Aécio Neves (MG). Reuniões intermináveis no Palácio do Planalto, clima de barata voa no Congresso, aliados ameaçando abandonar o barco, e, na pior das notícias do dia, o mercado derretendo, reavivando o receio de estancamento da retomada econômica.

 

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Brasília amanheceu com a cara amassada de uma noite maldormida. A acusação de que o presidente Michel Temer avalizara a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deixou as autoridades catatônicas. Temer até chegou mais cedo ao Planalto, na expectativa de manter a agenda programada de encontros com 18 deputados e com o pastor Silas Malafaia. Ao término da primeira audiência, percebeu que não havia clima para isso. Cancelou os compromissos e passou o dia debatendo a crise.

A Bolsa de Valores encerrou o dia com uma queda de 8,8%, nos 61.597 pontos. Logo no início do pregão, por volta das 10h20, os trabalhos tiveram que ser suspensos após a queda passar dos 10%, o chamado circuit breaker. Foram 30 minutos de paralisação. Em diversos outros momentos, o percentual de queda tangenciou o limite fatal, o que suspenderia o pregão por uma hora. Mas não houve mais necessidade de interrupção.

Endividamento

O dólar, tradicional indicativo de que as coisas não andam bem ou confiáveis, também disparou e encerrou o dia cotado a R$ 3,389, alta de 8,15%. A valorização da moeda americana aumenta o endividamento brasileiro, prejudica as importações e atrapalha as viagens internacionais. Em um determinado momento do dia, o dólar turismo foi comercializado a R$ 3,93.

A tensão não era apenas no mercado e no Planalto, mas também no Congresso.  Aécio Neves, o segundo mais votado nas eleições presidenciais de 2014, com mais de 51 milhões de votos, que foi atropelado pelos fatos. Sofreu buscas e apreensão em seus imóveis no Rio, Belo Horizonte e Brasília. A irmã dele foi presa em Minas Gerais. E o partido decidiu, em comum acordo com ele, que não havia condições de ele permanecer à frente da legenda, especialmente após a decisão do STF de afastá-lo do mandato.

 

Danilo Verpa/Folhapress
 

 

Desembarque

 

A exemplo do Planalto, o PSDB também estava em transe. A bancada de deputados anunciou que o substituto de Aécio seria o deputado Carlos Sampaio (SP) e orientou os ministros a desembarcarem do governo caso as denúncias contra o presidente Michel Temer fossem confirmadas. Ao fim do dia, os senadores mudaram tudo. A legenda foi assumida por Tasso Jereissati e os tucanos decidiram não debandar do governo. Pesou na decisão tucana a avaliação de que o áudio da conversa gravada do empresário Joesley Batista com Temer era inconclusivo.

Parte da confusão foi gerada por causa de um atraso de tomada de decisão de Aécio. De acordo com o regimento tucano, se ele renunciasse à presidência do partido, o vice-presidente mais velho, Alberto Goldman, assumiria o cargo e convocaria novas eleições na executiva nacional. Caso Aécio pedisse só uma licença, que foi o que ocorreu, ele teria o direito de indicar o substituto, que, no caso, foi Jereissati.

Confusão

O líder no Senado minimizou a confusão. “Não há necessidade de consensos. Os deputados fizeram uma sugestão de nome. Os senadores fizeram outra sugestão de nome e, obviamente, o senador Tasso reúne todas as condições de conduzir a sigla nessa fase de interinidade”, comentou Paulo Bauer (PR).

Foi um alívio para o Planalto, que passou o dia tentando atuar em três frentes. A primeira era acalmar o mercado, tarefa que coube ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Depois, a operação política. Temer recebeu 14 ministros ao longo do dia, além de, diversas vezes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Caso Temer perca o cargo, o demista assumirá interinamente a presidência por um período de 90 dias, até que o Congresso faça uma eleição indireta.

O circuito de reuniões começara na noite de quarta-feira, assim que vazaram as informações da delação. Temer reuniu-se com diversos grupos de ministros e parlamentares no gabinete presidencial. Por volta das 22h30, foi para o Palácio do Jaburu, acompanhado dos ministros Wellington Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil). Preparava-se para o dia mais longo do mandato até aqui.


"Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos”
Michel Temer, presidente da República, durante pronunciamento na tarde de ontem para a imprensa
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alberico
alberico - 19 de Maio às 10:19
A prova da gravação é autêntica, não há edição, contra provas inconteste dos fatos, os argumentos pífios do TM de que desconfia da edição da gravação, não convencem nem ele mesmo. Ele deveria reconhecer os crimes praticados e renunciar, poupando a nação de mais este sofrimento macabro.