Politica

Opinião: #TodaforçaàLavaJato

Ana Dubeux
postado em 21/05/2017 13:00
Se há ou não fantasmas rondando o Palácio da Alvorada, como teria dito o presidente Michel Temer a Joesley Batista, o todo-poderoso da JBS, não dá para saber. Diante de tantas suspeitas palpitantes, o folclore acerca das dependências da obra de arte de Oscar Niemeyer é o riso no canto da boca do sujeito que esperava ver a semana terminar apenas com as boas notícias econômicas. Emprego chegando, recessão indo embora, reformas a caminho da aprovação... Só que não, como dizem os jovens. Nossos fantasmas são de outra natureza, nada camaradas, tampouco brincalhões. Formam uma legião corrupta, que tem assombrado os brasileiros desde o início da Lava-Jato. Vieram em bando e deixaram rastros sombrios.

Seguindo essas pegadas, o que temos é um caminho impressionante trilhado por políticos de qualquer partido ou matiz ideológica. Eles são protagonistas de uma série cujo enredo tem o poder de nos paralisar. Com ou sem cortes, esse filme de horror que nos obrigam a assistir é o mais assustador capítulo de nossa história política. O medo do que está no porvir, no entanto, não pode desgrudar nossos olhos dos próximos episódios. Independentemente dos protagonistas, dos escalões a que pertencem, precisamos ser testemunhas desse momento até o desfecho. Haja coração, ou melhor, haja estômago. Precisamos ter coragem.

Não fosse a Operação Lava-Jato, perderíamos a chance de depurar o país. Não fosse a Lava-Jato, o Brasil teria apenas uma feição alegre a esconder sua verdadeira cara. Não fossem os procuradores, os policiais, os juízes, o Brasil seria saqueado mais e mais, por muitos e muitos anos. Negar a importância das investigações é ser omisso, é justificar as canalhices, é defender o indefensável direito de ladrões. Eles têm seus advogados a peso de ouro, pagos provavelmente com dinheiro roubado, para dar suas justificativas, entrar com recursos em série, ludibriar a população com o discurso de que tudo não passa de um grande circo. Uma mentira boba, risível, ridícula até.

Querem denunciar excessos dos investigadores? Que o façam. Haverá erros ao longo do percurso, é claro. Mas nada que se compare em nenhuma medida aos crimes que vieram a público. E ainda bem que vieram. No futuro, todos prestarão as contas devidas. A meu ver, a história vai honrar a Lava-Jato, tratando de transformá-la no que realmente é: uma operação que fez do Brasil um país melhor. Depois dela, seremos outros. No mínimo, seremos conscientes do que nos tornamos, do que detestamos, do que precisamos fazer para enxotar de uma vez por todas a bandalheira que nos governa há muitos anos.

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