Confira gravações comprometedoras envolvendo grandes nomes da política

Temer e Aécio não são os únicos. Políticos como os ex-presidentes Lula e Dilma e senadores já foram flagrados em gravações comprometedoras

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postado em 22/05/2017 08:23 / atualizado em 22/05/2017 09:25

O presidente Michel Temer (PMDB) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB), que viraram foco da Lava-Jato nesta semana depois de serem pegos em gravações comprometedoras não foram os únicos que “morreram” pela boca. Apesar de a investigação estar em curso há mais de três anos, políticos experientes como o senador Romero Jucá (PMDB), o ex-presidente Lula (PT) e o ex-senador Delcídio do Amaral também se descuidaram e foram envolvidos em áudios que acabaram sendo usados como prova contra eles. Em quase todos os casos, o que se viu foram tentativas de impedir ou prejudicar o andamento da maior operação contra a corrupção realizada no Brasil.

O próprio Temer já havia se deixado gravar em outra ocasião, quando seu ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, registrou uma conversa com o peemedebista. O áudio foi do pedido de demissão por conta das reclamações que havia feito contra o titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB). Calero gravou ministros e outros funcionários para tentar provara que Geddel tentava influenciar a liberação de uma obra no centro histórico de Salvador. O então ministro pediu demissão e acabou levando à queda também de Vieira Lima.

Quem caiu em uma “armadilha” semelhante à que o dono da JBS, Joesley Batista, fez com o presidente Michel Temer foi Delcídio do Amaral, que acabou preso por conta do que falou. Ele foi gravado pelo filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, que usou um celular para registrar o áudio de uma conversa. Nela, Delcídio falou até de um plano para tirar o executivo do País por uma rota no Paraguai. O ex-senador disse ainda que mantinha pagamentos à família de Cerveró para evitar uma possível delação premiada e confessou ter tentado influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para prejudicar o andamento da Lava-Jato.

O núcleo duro do presidente Michel Temer também foi apanhado quando falava sobre um possível plano para barrar a Operação Lava-Jato. O então ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB/RR), afirmou em conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que era preciso mudar o governo para “estancar a sangria”. O diálogo ocorreu semanas antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT)

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT, foram grampeados irregularmente pelo juiz Sérgio Moro e tiveram áudios de uma ligação telefônica divulgados. No diálogo, os dois falavam sobre a possível nomeação de Lula para um ministério para que ele ganhasse foro privilegiado. Posteriormente, o próprio Moro reconheceu que houve interceptação além do período previsto, mas afirmou que o vazamento da conversa foi válido.

Nas últimas gravações, divulgadas nesta semana, o presidente Michel Temer conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, sobre a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). O empresário diz estar se mantendo “de bem” com Cunha e indica que estaria pagando pelo silêncio dele. Também fala em ações para influenciar um juiz e um procurador da Lava-Jato. Já as gravações implicando o senador afastado Aécio Neves (PSDB) revelam um diálogo no qual o tucano fala em um pedido de R$ 2 milhões para Joesley Batista. 
Memória

“Arma” do índio


Filho do cacique xavante Apoenã, Juruna nasceu na aldeia próxima a Barra do Garças (MT) em 1942. Após viajar por boa parte do Brasil, na década de 70, passou a percorrer os gabinetes da Funai em Brasília, lutando pela demarcação xavante. Foi então que se tornou famoso: jamais era visto sem seu gravador, “para registrar tudo o que o branco diz”. Juruna foi eleito deputado federal pelo PDT em 1982. Foi o primeiro e único representante da comunidade indígena a ser eleito para o Congresso, cuja presença teve grande repercussão no país e no mundo. Em 1983, publicou o livro O gravador do Juruna, no qual listou as muitas promessas feitas - e não cumpridas - aos índios por dirigentes da Funai e pelos próprios parlamentares.

Trechos de gravações com políticos


Delcídio do Amaral com Bernardo Cerveró (filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró), Diogo Ferreira (chefe de gabinete de Delcídio) e o advogado Edson Ribeiro

DELCÍDIO: Agora, agora, Edson e Bernardo, é eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada , e eu vou conversar com o Gilmar também.
EDSON: Tá.
DELCÍDIO: Por que, o Gilmar ele oscila muito, uma hora ele tá bem, outra hora ele tá ruim e eu sou um dos poucos caras...
EDSON: Quem seria a melhor pessoa pra falar com ele, Renan, ou Sarney...
DELCÍDIO: Quem?
EDSON: Falar com o Gilmar
DELCÍDIO: Com o Gilmar, não, eu acho que o Renan conversaria bem com ele.

(…)

DELCÍDIO: Hoje eu falo, porque acho que o foco é o seguinte, tirar, agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo.
BERNARDO: É, eu já até pensei, a gente tava pensando em ir pela Venezuela, mas acho que... deve se sair, sai com tornozeleira, tem que tirar a tornozeleira e entrar, acho que o melhor jeito seria um barco... É, mais porque aí chega na Espanha, pelo menos você não passa por imigração na Espanha. De barco, de barco você deve ter como chegar...

EDSON: Cara é muito longe.
DELCÍDIO: Pois é, mas a idéia é sair de onde de lá?
BERNARDO: Não, da Venezuela, ou da...
EDSON: É muito longe.
DELCÍDIO: Não, não.....
BERNARDO: Não, mas o pessoal faz cara, eu tenho um amigo que trouxe um veleiro agora de...
EDSON: Não, tudo bem, (vai matar o teu velho).
BERNARDO: É … mas não sei, acho que...
EDSON: [risos] … Pô, ficar preso (...)
BERNARDO: Pegar um veleiro bom...
DELCÍDIO: Não mas a saída pra ele melhor, é a saída pelo Paraguai...

Lula e Dilma


Dilma: Lula deixa eu te falar uma coisa.
Lula: Fala querida. "Ahn"
Dilma: Seguinte, eu tô mandando o "BESSIAS" junto com o PAPEL pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o TERMO DE POSSE, tá?!
Lula: "Uhum". Tá bom, tá bom.
Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
Lula: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
Dilma: Tá?!
Lula: Tá bom.
Dilma: Tchau
Lula: Tchau, querida.


Ex-ministro da Cultura Marcelo Calero e Temer


Marcelo Calero: Eu fiz uma reflexão muito grande de ontem pra hoje e agradeço...
Michel Temer: Pois não...
Marcelo Calero: ... muito por o... por senhor ter insistido, mas eu realmente...
Michel Temer: ...Hum...
Marcelo Calero: ...quero pedir minha demissão e quero que o senhor aceite, por gentileza, porque eu não me vejo mais com... com condições e espaço de estar no governo.
Michel Temer: Interessante.
Marcelo Calero: É... então, assim...
Michel Temer: Tudo bem. Se você não... se é sua decisão, viu, o Calero, tem que respeitar. Ontem acho que até fui um pouco inconveniente, né? Insistindo muito pra você... pra você permanecer é.. confesso que não vejo razão pra isso mas você terá as suas razões.
Marcelo Calero: Sem dúvida.

Senador Romero Jucá e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro


MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez (autorizou prisões logo após decisões de segunda instância), vai todo mundo delatar.
JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO - Odebrecht vai fazer.
JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.

(...)

MACHADO - Queiroz (Galvão) não sei se vai fazer ou não. A Camargo (Corrêa) vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.

(...)

JUCÁ -Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

(...)

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel (Temer).
JUCÁ - Só o Renan (Calheiros) que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
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