"Se eu renuncio, pode ser uma declaração de culpa", diz o presidente Temer

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente Michel Temer volta a dizer que não renunciará e afirma que sua única culpa foi a "ingenuidade"

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postado em 22/05/2017 10:24 / atualizado em 22/05/2017 10:46

AFP / EVARISTO SA

"Se quiserem, me derrubem." Foi em tom de desafio que Michel Temer voltou a negar que pode renunciar ao mandato de presidente. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (22/5). Ao receber o jornal no Palácio da Alvorada, Temer falou sobre a grave crise em seu governo e afirmou que não sabia que Joesley Batista era investigado quando o recebeu em sua residência.


A Folha pergunta: "É moralmente defensável receber tarde da noite, fora da agenda, um empresário que estava sendo investigado?". E o presidente responde: "Eu nem sabia que ele estava sendo investigado". O jornal retruca: "Não sabia?", e o presidente diz que "no primeiro momento, não". O jornal insiste que a informação estava no noticiário o tempo todo, mas Temer afirma que "ele disse na fala comigo que as pessoas estavam tentando apanhá-lo, investigá-lo".

Temer reafirmou que não vai se afastar voluntariamente. "Não vou fazer isso, tanto mais que contestei acentuadamente a gravação especulosa que foi feita". Sobre os áudios divulgados, ele disse ainda que não concordou com um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha. Segundo o presidente, ele disse "mantenha isso" apenas em resposta a uma frase que dizia "Olhe, tenho mantido boa relação com a Cunha".
 

Culpa foi ser ingênuo 

 
Michel Temer foi indagado sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala de dinheiro. Diante disso, disse que mantinha com ele apenas uma relação institucional, que a atitude dele não foi 'aprovável', mas o defendeu: "Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole".

"Eu o conheci como deputado, depois foi para meu gabinete na Vice-Presidência, depois me acompanhou na Presidência, mas um homem de muito boa índole". A Folha questiona: "Ele foi filmado com R$ 500 mil, que boa índole é essa", e o presdiente responde que sempre teve a conviccção de que ele tem muito boa índole, mas que o gesto não é aprovável.

Diante da pergunta "Qual a culpa o senhor tem?", respondeu: "Ingenuidade". Temer disse que foi ingênuo ao receber uma pessoa (Joesley) naquele momento.  "Chamou a atenção, de todos, a tranquilidade com que ele [Joesley] saiu do país, quando muitos estão na prisão. Ou, quando saem, saem com tornozeleira. Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagaz como é, que no momento que ele entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam. Ele comprou US$ 1 bilhão e vendeu as ações antes da queda."

Em parte dos áudios, quando Temer fala "ótimo, ótimo", ele afirmou que não sabia o que queria dizer. "Não sei, quando ele estava contando que estava se livrando das coisas etc". A Folha insiste: Era no contexto da suposta compra de juízes". Temer responde: "Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Operação Carne Fraca. Eu disse: 'Venha quando for possível, eu atendo todo mundo'. [Joesley disse]'Mas eu tenho muitos interesses no governo, tenho empregados, dou muito emprego'. Daí ele me disse que tinha contato com Geddel, falou do Rodrigo e eu falei "Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo".

Sobre os projetos de reforma na economia que estão em andamento no Congresso, foi indagado se vale a pena continuar mesmo sem força política. Irritado, Temer respondeu que vai revelar a força política "precisamente" ao longo das próximas semanas com a votação de matérias importantes.  "Tenho absoluta convicção de que consigo. É que criou-se um clima que permeia a entrevista dos senhores de que vai ser um desastre, de que o Temer está perdido. Eu não estou perdido."

Quanto ao tom mais incisivo de seus pronunciamentos, Temer finaliza afirmando que "acho que eles gostaram desse novo modelito [risos]. As pessoas acharam que 'enfim, temos presidente".

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José
José - 22 de Maio às 20:48
Diante desse desastre econômico com risco de prolongamento por mais alguns anos acho que o STE está sendo conivente, já passou da hora de cassação da chapa Dilma -Temer e tomar medidas constitucionais cabíveis com urgencia para salvar pelo menos os ânimos da sociedade brasileira.