STF põe sob sigilo parte dos áudios que PF interceptou após delação da JBS

O ministro Edson Fachin impôs sigilo em parte dos áudios, após conversas interceptadas, que não tem relação com os supostos crimes praticados, serem divulgadas

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postado em 24/05/2017 16:26

Após a divulgação de áudios de conversas interceptadas que não têm relação com os supostos crimes investigados com base nas delações da JBS, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu impor sigilo a áudios interceptados pela Polícia Federal em investigação baseada nas delações da JBS.
 
 
A decisão vale para dois CDs que "não contêm apenas os diálogos referidos nos relatórios a que foram elas anexadas". "Determino o desentranhamento, com a juntada em procedimento autônomo que tramitará sob segredo de justiça", decidiu Fachin. A decisão do ministro alcança também eventuais áudios relativos à investigação que estejam no meio destes dois CDs que foram separados dos autos e agora passarão a tramitar em sigilo.

Os áudios captados pela PF foram disponibilizados na íntegra para cópia no prédio do Supremo Tribunal Federal na sexta-feira (19/5). Repórteres e advogados fizeram cópias. Descobriu-se, depois, que não apenas as conversas referentes às investigações foram copiados, como também aquelas que não traziam qualquer fato suspeito. No meio do volume completo, havia conversas de jornalistas. 

A publicação, pelo site BuzzFeed, de um diálogo do jornalista Reinaldo Azevedo com Andrea Neves, irmã de Aécio Neves e fonte do jornalista, alarmou a imprensa diante da quebra do sigilo da fonte - que só é autorizada quando há relação direta com a investigação. Iniciou-se uma discussão sobre de onde teria vindo a quebra do sigilo da fonte. Procurado pela reportagem, o gabinete do ministro Edson Fachin não quis comentar.

Críticas


Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Celso de Mello defendeu nesta quarta-feira, 24, que o sigilo da fonte é uma garantia constitucional. "A minha posição é que o sigilo da fonte representa uma garantia de ordem constitucional titularizada por qualquer profissional de imprensa. É um direito básico, de caráter constitucional, absolutamente indevassável", disse.

Na terça, o ministro Gilmar Mendes já havia criticado a divulgação da conversa. "A lei que regulamenta as interceptações telefônicas é clara ao vedar o uso de gravação que não esteja relacionada com o objeto da investigação. É uma irresponsabilidade não se cumprir a legislação em vigor. O episódio envolvendo o jornalista Reinaldo Azevedo enche-nos de vergonha, é um ataque à liberdade de imprensa e ao direito constitucional de sigilo da fonte", afirmou.

O diálogo foi publicado nesta terça-feira pelo site BuzzFeed. Segundo a reportagem, a conversa entre Azevedo e a irmã de Aécio ocorreu no dia 13 de abril, logo após a abertura dos conteúdos da delação da Odebrecht. Azevedo anunciou ontem sua demissão da revista Veja onde era colunista e afirmou que dar publicidade a "esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas".

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