Prisão de Rocha Loures aumenta pressão sobre Temer

Ex-deputado e ex-assessor parlamentar era homem de confiança do presidente Michel Temer

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postado em 03/06/2017 21:07 / atualizado em 03/06/2017 21:08

A prisão do ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), neste sábado (3/6), coloca mais pressão em cima do presidente. Segundo as investigações, Rocha Loures seria "homem de confiança" do presidente no relacionamento com empresas e recebimento de propinas. O presidente precisa lidar, ainda, com o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em três dias, que poderá cassar a chapa Dilma-Temer, de 2014, e também com a possibilidade de virar réu se Rodrigo Janot, procurador-geral da República, decidir denunciá-lo a partir da relação com o assessor. Loures está na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e será transferido na segunda-feira (5) para o Complexo Penitenciário da Papuda. 
 
Caso Rodrigo Janot decida denunciá-lo, Temer precisa de, pelo menos, 220 votos na Câmara dos Deputados para evitar que a denuncia siga adiante. Neste sábado, o presidente viajou para São Paulo e se reuniu com o governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB). O encontro serviu para que Temer evitasse que os deputados mais novos do partido saíssem do governo. 
 
A possibilidade de uma eventual delação premiada de Loures também existe. Ainda assim, o presidente Michel Temer disse “duvidar” que isso ocorra. “Acho que ele é uma pessoa decente. Eu duvido que ele faça uma delação. E duvido que ele vá me denunciar. Primeiro, porque não seria verdade. Segundo, conhecendo-o, acho difícil que ele faça isso”, afirmou Temer, em entrevista à revista IstoÉ. O advogado do ex-deputado, Cezar Bitencourt, também disse ser contrário a possibilidade. 
 

Prisão 

 
Loures foi flagrado, em abril deste ano, com uma mala contendo R$ 500 mil em propinas da JBS em São Paulo. A prisão aconteceu dois dias após ele perder o foro privilegiado pela volta de Osmar Serraglio (PMDB-PR) à Câmara. O mandado de prisão foi assinado na noite desta sexta-feira (2/6) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).
 
O advogado Cezar Roberto Bitencourt avaliou que ele foi "preso para delatar". No entanto, segundo o advogado, a previsão é de que ele se mantenha em silêncio e não opte pelo acordo com o Ministério Público Federal (MPF). "Para que seria preso no sábado? Só pode ter sido preso para delatar. Não poderia ser (decidido) na terça-feira em sessão na Turma?", disse o advogado, em referência ao dia de sessão nas Turmas do STF, que analisam questões penais.
 
Segundo delações de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava-Jato, o valor recebido pelo ex-deputado seria dinheiro de propina. Loures e Michel Temer são suspeitos de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de Justiça. 
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