Além de corte no salário, Aécio perderá também benefícios

Senado retira nome de tucano do painel de votação e o deixa sem carro oficial e sem verba indenizatória. Na terça, o STF decidirá sobre duas questões opostas: a prisão do parlamentar, requerida por Janot, e o pedido da defesa para que retome o mandato

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postado em 15/06/2017 06:00 / atualizado em 15/06/2017 00:21

AFP PHOTO / ANDRESSA ANHOLETE


Depois das recentes polêmicas quanto à demora em afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o Senado decidiu ontem cortar — em parte — o salário do tucano.  De acordo com a assessoria da Presidência da Casa, Aécio continuará recebendo a parte “fixa” do salário parlamentar de R$ 33.763, que equivale a um terço do total. Serão descontadas as faltas que ele tiver nas sessões deliberativas do plenário. Esse desconto varia de acordo com o número de sessões realizadas.

 

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Nos últimos dias, aumentou a pressão sobre o Senado para tomar uma atitude em relação a Aécio. A Primeira Turma do STF marcou para a próxima terça-feira, 20, uma sessão para definir o pedido de suspensão do afastamento, feito pela defesa do senador, e do pedido de prisão do parlamentar, reiterado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Pessoas próximas ao senador afirmaram que existe um receio quanto ao resultado do julgamento, já que, na última terça, 12, a mesma turma — composta por Marco Aurélio, Luiz Fux, Rosa Weber, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso — manteve, por 3 votos a 2, a prisão da irmã de Aécio, Andreia Neves. Marco Aurélio, que votou a favor do pedido de habeas corpus e é relator do inquérito contra o senador mineiro no Supremo, tem sido crítico da demora do Senado em acatar a decisão do STF sobre Aécio.

Integrantes da cúpula tucana esperam o resultado desse julgamento para marcar a convenção que decidirá a efetivação do senador Tasso Jereissati (CE) na presidência do PSDB, em substituição ao próprio Aécio. “Esse julgamento pode ser uma saída honrosa para Aécio. Não acreditamos que o STF vai prendê-lo, mas acreditamos que ele continuará afastado. Assim, ele terá mais tempo de cuidar da própria defesa”, disse um cacique tucano.

Sobre os benefícios de que Aécio teria como senador, um ofício encaminhado mais cedo pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), ao ministro Marco Aurélio, informou que, além de parte dos vencimentos, Aécio teve cortado os demais benefícios (carro oficial e verba indenizatória). Além disso, o nome do senador mineiro foi retirado dos painéis de votação do plenário e das comissões.

Em resposta ao presidente do Senado, Marco Aurélio disse que o gabinete de Aécio pode funcionar normalmente durante o período de afastamento do tucano. Pelo entendimento de Marco Aurélio, o gabinete pode continuar aberto porque o mandato do parlamentar foi apenas suspenso e não extinto.

Reaproximação

Satisfeito com o gesto de reaproximação de Eunício, Marco Aurélio mudou o tom e concordou com as providências tomadas pelo Senado em relação ao afastamento de Aécio, inclusive que a convocação de um eventual substituto só deve ocorrer 120 dias após o afastamento.

Aécio responde a inquérito acusado de ter recebido, por meio de assessores, vantagem indevida no valor de R$ 2 milhões da JBS.  A defesa do senador reafirma que o dinheiro foi um empréstimo oferecido por Joesley Batista com o objetivo de forjar um crime que lhe permitisse obter o benefício da impunidade penal.
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