Sessão para votar reforma trabalhista é interrompida e luzes são apagadas

Senadoras da oposição ocuparam a Mesa do Plenário desde de manhã, o que levou o presidente do Senado, Eunício Oliveira, a suspender sessão e determinar o apagamento das luzes

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postado em 11/07/2017 12:44 / atualizado em 11/07/2017 15:25

Reprodução/Twitter

 

A sessão do Senado na qual está prevista a votação da reforma trabalhista foi suspensa nesta terça-feira (11/7) após confusão entre parlamentares. O presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), suspendeu a sessão devido à insistência de cinco senadoras da oposição em ocuparem a Mesa do Plenário e se recusarem a deixar o local. Cerca de cinco minutos depois da suspensão, por volta de 12h30, as luzes do Plenário foram parcialmente apagadas e os microfones, desligados. Às 15h, as senadoras continuavam sentadas à mesa e no escuro. Até mesmo almoçaram ali.

 

Desde o início da sessão, ainda pela manhã, as cinco parlamentares — Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), Regina Sousa (PT-PI) e Lídice da Mata (PSB-BA) — ocuparam a tribuna para discursar sobre o texto da reforma. Pelas regras do Senado, qualquer senador pode abrir uma sessão, desde que haja quórum. Como as senadoras ocupavam a Mesa, Eunício nem chegou a ocupar seu lugar e anunciou a suspensão da sessão em pé e puxando o microfone que era usado por Fátima Bezerra.

 

De acordo com Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), após o "apagão", os senadores discutiam com Eunício Oliveira a possibilidade de a sessão ser transferida para o auditório Petrônio Portela, onde cabem mais pessoas que as galerias do Plenário comportam. A estratégia para dar prosseguimento à votação foi criticada por Lindbergh Farias (PT-RJ). Eunício Oliveira convocou uma reunião no gabinete da Presidência com diversos senadores e líderes para tratar da questão.

 

A oposição também atua em outras frentes na tentativa de adiar a votação da reforma trabalhista, na qual o governo acredita ter votos suficientes para sair vitorioso. Uma das manobras é aprovar destaque que forçaria o texto a voltar para a Câmara dos Deputados

 

 

"Ditadura"

Depois de suspender a sessão, Eunício deixou o plenário da Casa por volta das 12h30, declarando que a sessão seria retomada "quando a ditadura deixar". Eunício também proibiu o acesso da imprensa e de assessores parlamentares ao Plenário, afirmando que "a sessão estava encerrada e as luzes apagadas", indicando que o apagão havia sido uma decisão sua. Alguns minutos depois, no entanto, a assessoria de imprensa da Presidência da Casa autorizou a entrada de jornalistas.

 

Pelo Twitter, a senadora Gleisi Hoffman afirmou que haviam cortado a luz do Congresso e que impediam "a entrada de trabalhadores e sindicatos na Casa". Enquanto isso, do lado de fora, o gramado em frente ao Congresso tem a presença de algumas dezenas de sindicalistas. 

 

Além disso, um grupo com cerca de 20 pessoas fez um manifesto contra a reforma trabalhista durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. Por conta da votação da reforma trabalhista, nesta terça-feira, o sistema de segurança do Congresso Nacional foi reforçado.

 

Inicialmente a sessão da CDH foi marcada para tratar da aposentadoria especial para os profissionais da enfermagem, porém a reunião foi utilizada como estratégia da oposição para fazer com que alguns trabalhadores e sindicalistas conseguissem entrar na Casa. Na segunda-feira, 10, a sessão já havia sido transformada em palco de discussões sobre a reforma.

Entenda

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) manteve o calendário para que a votação do texto da reforma trabalhista ocorra hoje. O textom que há dois meses é discutido na Casa, não teve alterações em relação ao que foi enviado pela Câmara no fim de abril., mesmo com intensa tensão política. Para conseguir aprovar a matéria, o governo precisa de maioria simples: é o apoio de metade dos senadores mais um. O texto altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As novas regras trabalhistas começarão a valer 120 dias depois que o texto for sancionado pelo presidente Michel Temer e publicado no Diário Oficial da União.

 

 

 

Com informações da Agência Estado. 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Helga
Helga - 11 de Julho às 18:19
Perfeito! :D Protesto pacífico a gente vê por aqui.
 
Horst
Horst - 11 de Julho às 16:23
Quem está sendo ditador é o Presidente da República, uma vez que tenta garantir a todo custo a maioria necessária para aprovar um projeto (de poder) que conta com o apoio de apenas 7% da população brasileira
 
Horst
Horst - 11 de Julho às 16:11
Parabéns, senadoras Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Vanessa Graziotin, Regina Sousa e Lídice da Mata! Os brasileiros de bem esperam que a resistência de V. Exªs surte efeito e esta reforma nefasta e diabólica contra o trabalhador brasileiro não seja votada tão cedo, até que seja esquecida e engavetada pelo Senado Federal.
 
ercilia
ercilia - 11 de Julho às 15:52
Ridículo isso, todos sabem como são os trâmites de uma sessão...imagine se todo mundo quiser fazer isso no congresso para ser ouvido. Independentemente se gostemos ou não é a maioria e os acordos políticos que imperam no congresso.