Artigo: Governo libera emendas, mas serviços públicos estão perto do caos

Enquanto as atenções do Planalto se voltam para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aposentados e pensionistas esperam horas e horas por um atendimento nos postos

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postado em 12/07/2017 11:18

Há uma bomba prestes a estourar nos serviços essenciais prestados à população. As longas filas nos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são apenas um dos exemplos do que ocorre no dia a dia de laboratórios de análises sanitárias do Ministério da Agricultura e no trabalho das polícias Federal e Rodoviária Federal, além de gargalos na educação e saúde e nas agências reguladoras. Hoje, enquanto as atenções do Planalto se voltam para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aposentados e pensionistas esperam horas e horas por um atendimento nos postos. O rastilho de pólvora foi aceso com o contingenciamento de recursos por parte do Ministério da Fazenda, que, com a proximidade do ano eleitoral, preocupa até mesmo os governistas mais atentos.

Em entrevista à repórter Marlla Sabino, publicada na edição de ontem deste Correio, o presidente do INSS, Leonardo Gadelha, deixou o problema exposto. O dinheiro no caixa do instituto é insuficiente para manter, até o fim do ano, o atendimento a aposentados e pensionistas. Gadelha falou especificamente sobre a previdência do setor privado, mas poderia citar qualquer área do governo federal. Como se sabe, o repasse de R$ 42,1 bilhões foi suspenso para cumprir a meta fiscal. A decisão do governo é um contra-ataque à falta de receitas.

Lógica


Para além do lobby de categorias — como é o caso de polícias estaduais, que em vários momentos chantageiam governadores —, a lógica de contingenciamento versus eficiência no atendimento ao público é uma conta de perda para o cidadão. Na cabeça da equipe econômica, é preciso confrontar a atual gestão com os gastos perdulários com as intervenções do governo de Dilma Rousseff. Mas a corda pode estar sendo esticada além da conta. É o que avaliam os políticos mais atentos, que, mesmo defendendo a equipe econômica, miram uma eleição logo ali na frente, a um ano da campanha eleitoral.

De volta à reportagem do Correio, num posto de atendimento do INSS na 502 Sul, faltava gente até mesmo para orientar o público. “Ao longo dos últimos anos, tivemos uma perda significativa de servidores ao mesmo tempo que houve aumento de demanda”, disse Gadelha. Para o ano que vem, agências do instituto podem ser fechadas. Se, de certa forma, algumas receitas provisórias deram um respiro para a população — como a liberação do FGTS —, tal estratégia é limitada. E aqui, mais uma vez, o sinal é amarelo.

Enquanto o governo suspende recursos para saúde, segurança e educação, as emendas parlamentares continuam a ser liberadas, como exemplo de boa vontade do Planalto com os governistas. O jogo político já entregou, de janeiro a maio, mais de R$ 1 bilhão — mas os recursos podem chegar a R$ 3,2 bilhões. É necessário que se diga que nesse caso também a equipe econômica é contrária aos desembolsos, mantendo a coerência. A urgência do Planalto em vencer a guerra política e derrubar o relatório elaborado pelo deputado Sergio Zveiter é maior do que os argumentos sobre a necessidade de ajuste fiscal.

Requisitos


O diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz, acredita que um eventual substituto de Michel Temer deve ter capacidade de articulação com o Congresso, sagacidade em manter viva a tramitação das reformas, proteger a equipe econômica, não ser alvo de denúncias e ter maturidade e equilíbrio emocional. “Faltam a Maia duas dessas características, mas, no atual momento, ter três delas já o deixam na frente dos atuais personagens do cenário político.”
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