PP orienta voto contra a denúncia e PSDB libera deputados

A maioria dos discursos nos dois dias de sessão foi de deputados defendendo a admissibilidade da denúncia

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postado em 13/07/2017 16:37 / atualizado em 13/07/2017 17:40

Ed Alves/CB/DA Press
 
O PP, partido da base aliada do governo Michel Temer, decidiu orientar negativamente ao prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), durante sessão de votação nesta quinta-feira (13/7). O partido tem seis membros titulares na comissão e realizou diversas trocas para garantir votos a favor do Palácio do Planalto.
 
O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) anunciou que o PSDB vai liberar a bancada do partido na CCJ, formada por sete membros titulares, para votar com a "consciência" em relação à denúncia contra o presidente Michel Temer. Gomes explicou que os tucanos são majoritariamente favoráveis ao prosseguimento do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
 
 
A líder do Podemos, deputada Renata Abreu (PODE-SP), anunciou que o partido vai orientar seus deputados a votarem favoravelmente ao prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer na sessão de votação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
 
O deputado Marcos Montes (PSD-MG), líder do PSD na Câmara, anunciou que a bancada do partido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vai votar contra o pedido da Procuradoria-Geral da República, para investigar o presidente Michel Temer. "O partido, com muito equilíbrio, fez esse fechamento de questão. Todo o partido confia no homem e no pai de família Michel Temer".

Os líderes da maioria dos partidos da base, que não são membros da comissão, fizeram questão de vir ao colegiado para defender a decisão da legenda, favorável ao Palácio do Planalto. Além de Montes, o líder do PMDB, deputado Baleia Rossi (SP), também usou o microfone para explicar o posicionamento da sigla.
 
O deputado Tadeu Alencar (PSB-PE) anunciou que o PSB, legenda com quatro membros titulares na CCJ, vai orientar voto favorável ao prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer. "Não aceitar a denúncia significa que estaríamos interditando o presidente quando pairam tantos indícios contra o cargo mais importante do País. Em respeito ao Brasil, nós orientamos o voto sim ao relatório", explicou.

Apesar da orientação, o deputado Danilo Forte (PSB-CE) pediu a palavra para discordar da orientação da própria legenda e falar em nome da líder do partido na Câmara, deputada Tereza Cristina (PSB-MS), que também é contra essa orientação. 

"Essa falta de provas faz com que tenhamos a preocupação de trazer um novo debate, a necessidade de construir um novo código de processo penal", justificou Danilo Forte. "Diante disso, eu e o deputado Fabio Garcia (PSB-MS) votaremos contra".

A discordância expõe o cabo de guerra entre a direção do partido e a liderança da bancada na Câmara. Enquanto o presidente do PSB, Carlos Siqueira, é a favor da admissibilidade da denúncia, a líder da Câmara do partido é contra.
 
Membro da CCJ, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) anunciou que seu partido, o DEM, vai orientar a bancada a votar contra o prosseguimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República no colegiado. Aleluia justificou que os "fatos são fortes, mas as provas inexistentes". "O voto do DEM é de lealdade, temos o ministro da Educação", explicou o parlamentar, que é do mesmo partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). 

O DEM tem quatro deputados titulares na CCJ. "Se encontrarem algo concreto, eu poderei mudar de posição, eu e o meu partido. Enquanto não tiver prova, votaremos majoritariamente contra o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ)", acrescentou o deputado.

O PTB anunciou que sua bancada deve votar contra a denúncia apresentada pela Procuradoria-geral da República, que tem o objetivo de investigar o presidente Michel Temer. A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) explicou que a legenda vai acompanhar os outros partidos da base. A deputada citou o suposto uso de provas ilegais, em referência às gravações de áudio contra Temer, como justificativa.
 
Legendas integrantes da base aliada do governo Michel Temer, o PROS e o PRB também decidiram que vão votar contra o prosseguimento da denúncia contra o presidente.
 
O PDT anunciou que vai orientar seus deputados a votarem a favor do prosseguimento da denúncia da Procuradoria-geral da República. O pedido da PGR é pela abertura de uma investigação contra o presidente Michel Temer. Já o partido Solidariedade decidiu que seus parlamentares devem optar por rejeitar a admissibilidade do pedido da PGR. 
 
Com apenas um deputado titular na CCJ, o PCdoB vai orientar o voto a favor do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer. Já o PPS se descolou da base aliada do governo e decidiu seguir o PCdoB. O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) anunciou que a legenda vai votar a favor do pedido da PGR. O PSOL citou o "toma lá dá cá" do Palácio do Planalto para justificar o voto favorável ao prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer. "O PSOL não será coveiro da ética pública", argumentou o deputado Chico Alencar (RJ).
 
O PV e a Rede Sustentabilidade seguiram caminhos distintos nas orientações quanto à denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Enquanto o deputado Evandro Gussi (PV-SP) falou contra o parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) defendeu o prosseguimento do pedido da Procuradoria-Geral da República.
 

Debates 


Foram dois dias de sessão de debates e 78 discursos no plenário da CCJ, que somaram mais de 18 horas de discussão. A maioria dos discursos foi de deputados defendendo a admissibilidade da denúncia.
 
O Partido da República (PR), que também integra a base aliada do governo Michel Temer, decidiu que vai orientar seus deputados a votarem contra o prosseguimento da denúncia. A legenda fechou questão sobre a matéria antes da sessão de votação. 
 
Antes da votação, cada líder de bancada dará orientação de como os parlamentares do partido devem votar em relação ao pedido da Procuradoria-Geral da República. Foram dois dias de sessão de debates e 78 discursos no plenário da CCJ, que somaram mais de 18 horas de discussão. A maioria dos discursos foi de deputado defendendo a admissibilidade da denúncia.

"A denúncia mostra que o presidente se meteu em enrascada", disse o petista Wadih Damous (RJ). O deputado afirmou que a denúncia da PGR não veio "contaminada" e que a população merece conhecer a verdade. "O povo brasileiro exige de nós que essa denúncia seja acatada", reforçou.

Pelo bloco governista, defenderam o presidente Michel Temer os deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e Alceu Moreira (PMDB-RS). Em seu discurso, Moreira disse que admitir a denúncia seria "jogar um país no fosso do futuro sem saber quais são as consequências, apenas porque o presidente recebeu alguém fora da agenda". "É ruim com ele, é muito pior sem ele", pregou.

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