Nova procuradora-geral, Raquel Dodge vai trocar nomes e estilo no gabinete

Dodge já iniciou a escolha dos integrantes da equipe. Mudanças mais efetivas estarão nas áreas de atuação do órgão, que ampliará os assuntos para além da Lava-Jato

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Minervino Junior/CB/D.A Press


Embora comece a atuar como procuradora-geral da República apenas em setembro, a futura PGR, Raquel Dodge, começou a compor o novo gabinete. O quinto andar do prédio espelhado às margens da L4 Sul deve abrigar em dois meses os procuradores regionais Alexandre Camanho, Alexandre Espinosa, Raquel Branquinho e José Alfredo de Paula Silva. Ao contrário do atual ocupante do cargo, Rodrigo Janot, cuja prioridade eram investigações políticas, Dodge deve dar mais atenção às minorias e ampliar a atuação do Ministério Público Federal (MPF), hoje muito ligada ao combate à corrupção no país. O que muda na prática é a abrangência e as prioridades do Ministério Público.


Raquel Dodge, agora à frente de uma carreira composta majoritariamente por homens, evita dar declarações fora dos autos. Prefere ficar longe dos holofotes e deve trabalhar temas mais sensíveis, como direitos humanos, incluindo a área prisional e questões indígenas, meio ambiente e saúde pública, jogados para escanteio em tempos de Lava-Jato e de denúncias presidenciais. Não se trata de deixar a corrupção de lado, mas realocar equipes para dar conta de fazer mais coisas. A futura procuradora-geral sinalizou essa atitude há tempos, e inclusive chegou a declarar que “no dia em que o Ministério Público não cumprir seu papel social, terá que se extinguir”.

O procurador regional da República Alexandre Camanho, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), é cotado para assumir um cargo de destaque na administração. Ele seria uma espécie de chefe de gabinete, e contaria com a experiência de quem está há quase 25 anos como servidor efetivo do Ministério Público. O tempo aumenta se for contabilizado o período em que ele trabalhou como assessor, a convite do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Francisco Rezek.

Investigações


Na mesma equipe, a procuradora Raquel Branquinho, também respeitada no MPF, é nome certo na área penal. À imprensa, já declarou ser uma “faz tudo” dentro da PGR. Ela foi a responsável pelas investigações contra o banqueiro Salvatore Cacciola — solto pouco tempo depois por uma liminar do ministro Marco Aurélio — e ficou conhecida nacionalmente ao investigar a participação indevida na renovação de um contrato envolvendo loterias entre a empresa de tecnologia Gtech e a Caixa Econômica Federal.

Atuou, também, na força-tarefa montada para desmembrar a chamada Operação Zelotes, que apurou o pagamento de propina a funcionários do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para que multas aplicadas a empresas (entre bancos, montadoras e empreiteiras) fossem reduzidas ou anuladas. Neste último caso, também participou o procurador José Alfredo de Paula Silva, que, como possível integrante do gabinete, poderá trabalhar novamente em conjunto com a colega.
José Alfredo ingressou no MPF em 2003. É procurador regional da República desde 2014, e sempre trabalhou nas áreas administrativa e eleitoral, com alguns trabalhos envolvendo improbidade administrativa. Entre os mais importantes, além do já citado, estão os casos do mensalão e do escândalo de gastos na Universidade de Brasília (UnB). O nome do procurador regional Alexandre Espinosa também é citado entre os possíveis integrantes na nova gestão.

Embora a distribuição de cargos no gabinete de Dodge seja um dos assuntos mais comentados nos corredores da PGR, parece que a preocupação da futura procuradora-geral é mesmo tomar pé do que está acontecendo na instituição que ela comandará em breve.

Lista tríplice

Raquel Dodge ficou entre os três escolhidos pela ANPR para ocupar o cargo de procurador-geral da República. A decisão final ficou com o presidente Michel Temer. Entre os colegas, ela acabou em segundo lugar, com 587 votos, 34 a menos que o primeiro colocado, o subprocurador-geral Nicolao Dino. Poucos votos a mais do que o terceiro na escolha da classe, Mário Bonsaglia, que teve 564 votos.
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Sonia
Sonia - 15 de Julho às 11:01
Uma coisa são os bastidores outra coisa é o palco. Ela pode pensar em fazer muita coisa agora, mas seu cargo é político e terá dificuldades em trabalhar porque em qualquer área que atue no Brasil envolvendo direitos indígenas, saude, menor corrupção e outras sofrerá forte embate com políticosm empresários e juristas capazes de tudo para sair deste estado medieval em que vivemos.