Ministros e presidente do Senado brigam por cargo do Banco do Nordeste

O atual diretor, Nicola Miccione, pode deixar o cargo e ser substituído por Delano Macedo Vasconcelos

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postado em 15/08/2017 06:00 / atualizado em 15/08/2017 06:54

Evaristo Sá/AFP - 7/3/17


A diretoria de Tecnologia da Informação do Banco do Nordeste (BNB) tornou-se alvo de disputa dos ministros palacianos com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O atual diretor, Nicola Miccione, pode deixar o cargo e ser substituído por Delano Macedo Vasconcelos, indicado pelo deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), que se ausentou na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva.


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Os maiores entusiastas para a exoneração de Nicola são os ministros da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. A Imbassahy interessa premiar um tucano cearense para se contrapor ao presidente nacional da legenda, senador Tasso Jereissatti (CE), defensor da saída de Temer e do desembarque do PSDB do governo.

No caso de Moreira, há uma disputa que acaba também envolvendo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). No auge da crise, Eunício e Maia agiram muito afinados e o Planalto chegou a desconfiar de uma conspiração para a derrubada do presidente. Além disso, Eunício adiantou a data de votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), empurrando para o início de agosto a análise do processo contra o presidente Temer, desagradando ao círculo mais próximo do presidente.

O pedido de exoneração de Nicola já foi encaminhado ao Ministério da Fazenda. Pessoas próximas a Eunício, contudo, lembram que é arriscado para o governo comprar briga com o presidente do Congresso em um momento em que várias matérias importantes precisam tramitar no Parlamento, como a mudança de meta fiscal e as reformas da Previdência e trabalhista.

Para minimizar o impacto, a justificativa é de que Nicola não foi indicado por Eunício, mas pelo deputado Vitor Valim (PMDB-CE). Vitor votou contra Temer no processo de admissibilidade e foi um dos cinco deputados suspensos por um período de 60 dias pela direção nacional do PMDB. “E alguém acha que o Valim teria alguma força para indicar alguém no Banco do Nordeste sem o apoio do Eunício?”, provocou um aliado do presidente do Senado.

Outra mudança

O governo também comprou outra briga com parlamentares do Nordeste ao trocar o comando da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Ao nomear ontem um indicado da bancada de dissidentes do PSB, apadrinhado pelo deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), para a presidência da estatal, Temer desagradou a parte dos governistas nordestinos que desejam ocupar a vaga dos socialistas. O presidente exonerou Kênia Marcelino e colocou, em seu lugar, Antonio Avelino Rocha.

Kênia era afilhada do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que integra a ala dos socialistas que apoiam o desembarque do governo. O filho do senador, deputado Valadares Filho (SE), votou a favor da admissibilidade da denúncia por corrupção passiva encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A queixa dos aliados é que o PSB mostra ser uma legenda rachada e que os socialistas aliados ao Planalto somam entre 12 e 13 votos. “Várias bancadas, com força no Nordeste e com um potencial muito maior de votos favoráveis ao Planalto, ficaram ressentidas com essa escolha”, alertou um líder parlamentar. Uma dessas legendas é o PP, que já comanda as pastas da Saúde, da Agricultura e a Caixa Econômica.

Na semana passada, o pleito foi levado ao Planalto pelo próprio presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI). Além da questão regional, ainda existe uma disputa local: no Piauí, Heráclito e Ciro são adversários. Em tese, existe uma grande chance de o PSB também ficar sem o cargo, uma vez que Heráclito é um dos parlamentares que flertam com o DEM para a criação de uma legenda, a Mude (Mudança Democrática).

Lei e Ordem "na moda"

Em um dos eventos mais curtos que já realizou no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer disse ontem, durante cerimônia de apresentação de oficiais generais promovidos, que está “na moda” falar em garantia da lei e da ordem. Em uma fala de menos de 10 minutos, Temer também parabenizou os militares que estão no Rio de Janeiro e citou a presença das Forças Armadas brasileiras no Haiti. “Tenho certeza de que os senhores seguirão exercendo com competência, sob a égide do Ministério da Defesa, as funções que lhes atribuem a Carta Magna: a defesa da pátria, a garantia do poderes constitucionais e, por iniciativa destes, aliás, está muito na moda, a garantia da lei e da ordem”, disse o presidente, durante a apresentação de 15 oficiais generais promovidos. O presidente também fez uma referência ao trabalho dos militares em missão no Rio de Janeiro. “Não quero deixar de dirigir uma mensagem também aos militares que recentemente iniciaram importante missão no Rio de Janeiro. Por isso que está na ordem do dia a manutenção da Lei e da Ordem”, reforçou.
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ROBERTO
ROBERTO - 15 de Agosto às 11:35
É por essas e outras que sou totalmente a favor das privatizações.