Austeridade? Executivo federal contrata, em média, mil pessoas por mês

A força de trabalho dos concursados no Executivo passou de 581.098 para 588.187 pessoas de janeiro a julho deste ano

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postado em 26/08/2017 07:00 / atualizado em 26/08/2017 09:51

O Executivo federal contrata, em média, mil pessoas por mês, conforme dados do Painel Estatístico de Pessoal (PEP), do Ministério do Planejamento. Esse aumento de servidores vai na contramão do discurso de austeridade fiscal da equipe econômica, avisam especialistas. “É preciso tomar uma atitude para frear esse ritmo de contratações. Caso contrário, o governo não conseguirá equilibrar as contas públicas”, alertou o economista e especialista em contas públicas Bruno Lavieri, sócio da 4E Consultoria.

A força de trabalho dos concursados passou de 581.098 para 588.187 pessoas de janeiro a julho deste ano, de acordo com dados do PEP. Em nota, o Planejamento disse que o crescimento “reflete o fluxo de entrada e saída de servidores”, mas enviou dados que mostram um aumento maior ainda. As aposentadorias somaram 15.670, no acumulado do ano. No mesmo período, entraram 11.924 pessoas por concurso e 30.235 por processos seletivos. Foram incorporados 4.387 professores e 4.397 técnicos das universidades. A pasta reforçou que  “as autorizações de vagas ocorridas atenderam a situações emergenciais ou àquelas decorrentes de nomeações de concursos já autorizados”.

Há quem reclame de falta de mão de obra e do excesso de cargos comissionados. Segundo Carlos Silva, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores do Trabalho (Sinait), “30% dos cargos estão vagos (menos 1.240 auditores)”. Sílvia Alencar, diretora parlamentar do Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal (Sindireceita), descartou qualquer reforço de pessoal na Fazenda. “Os que apareceram certamente são titulares de cargos de confiança, substitutos dos que votaram contra o presidente”, disse.

Curiosamente, uma das pastas que mais gastam com pessoal é justamente a da Fazenda. Segundo a assessoria do ministério, chefiado por Henrique Meirelles, a incorporação da Previdência é uma das razões do aumento de 6,42% nas despesas com pessoal apenas no mês passado, ritmo acima da inflação no período, de 0,24%.

Máquina inchada


Evolução de servidores contratados por concurso — cargos ocupados na força de trabalho
Janeiro 581.098
Fevereiro 581.566
Março 584.938
Abril 585.823
Maio 586.244
Junho 587.076
Julho 588.187
Variação  +7.089 contratações

Quanto custa a folha
R$ 166 bilhões (despesas com pessoal até julho)
R$ 22,1 bilhões (gastos em julho)

Os que mais gastaram em julho
Órgão R$ Variação no ano
Exército 2,69 bilhões 12,19%
Fazenda 1,42 bilhão 6,42%
Aeronáutica 1,37 bilhão 6,20%

Fonte: Ministério do Planejamento
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Vaneide
Vaneide - 26 de Agosto às 14:46
E os salários dos servidores da casa muito baixo.
 
Vaneide
Vaneide - 26 de Agosto às 14:42
Contratam muitos e enquanto isso os servidores tem salários muito baixos.
 
Nilton
Nilton - 26 de Agosto às 13:05
O Brasil tem 200 milhões de pessoas, deveria ter no mínimo 2 milhões de funcionários no governo central, então 1% é pouco, pois a grande maioria dois países têm em torno de 2 a 3% no governo central, EUA, Inglaterra, Alemanhã, a maioria dos países latinos etc (vide estatísticas sobre o assunto na internet). O que está errado é a nomeação, via cargo de confiança de pessoas com indicação política. As lavas jatos provam isso e que o prejuízo é monstruoso para os cofres públicos. Acrescente-se, a isso, que na maioria dos indicados politicamente são pessoas que não possuem capacidade técnica para os cargos e tomam decisões erradas constantemente que aumentam as despesas e a ineficiência da máquina pública.