Presidente do PHS é acusado de comprar caminhonete com dinheiro do partido

Eduardo Machado também é acusado por funcionários de se apoderar da sede da legenda, em Brasília

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Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press


Enquanto o Congresso não se entende na votação da reforma política e propõe a criação de um fundo público eleitoral com valores que variam de R$ 2,1 bilhões a R$ 3,6 bilhões, os próprios políticos dão provas de que usam mal o dinheiro do contribuinte a que já têm direito para financiar as atividades partidárias.  Esses recursos, que deveriam ser usados para custear as despesas das legendas, em diversas oportunidades, servem para adquirir bens para fins pessoais de seus dirigentes. O presidente do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Eduardo Machado, por exemplo, comprou uma caminhonete, no valor de R$ 170 mil, usando dinheiro partidário. Ele também é acusado por funcionários de se apoderar da sede da legenda, em Brasília.
 
 
Quem vai até a casa luxuosa na QI 11 do Lago Sul imagina que ali funciona a sede do PHS. Ou pelo menos deveria funcionar. Mas, durante a semana, o local fica vazio. A reportagem do Correio foi até a mansão, na última sexta-feira e só encontrou um funcionário fazendo a segurança. Um cadeado impede que qualquer pessoa entre no imóvel. Nem mesmo o telefone funciona. Apesar de ter apenas sete deputados com mandato na Câmara, a sigla recebeu R$ 3,8 milhões do Fundo Partidário neste ano. O Fundo distribuiu, em 2017, R$ 819 milhões para diversos partidos.

Eduardo Machado comprou uma caminhonete, que, de acordo com denúncias de funcionários do PHS, é usada para uso pessoal dele, inclusive para se deslocar até uma fazenda da sua família, em Goiás. Além disso, ele teria usado dinheiro do fundo para alugar imóveis. Tudo isso enquanto funcionários do partido ficam sem salários.  O caso é semelhante ao do ex-vereador Eurípedes Gomes de Macedo Júnior, que comanda o Partido Republicano da Ordem Social (Pros), acusado de usar verba do fundo partidário para a compra de um helicóptero (veja  matéria ao lado).

Em abril deste ano, Eduardo Machado chegou a ficar 15 dias afastado da presidência do partido, após ser destituído em uma assembleia. Na ocasião, ele foi acusado de acumular o cargo de secretário estadual de Goiás e de receber salário como presidente da legenda, além de não estar filiado ao PHS. No entanto, a Justiça Eleitoral, que analisa o caso, considerou que ele foi afastado de forma irregular, e ele voltou a exercer a tarefa de presidir a legenda.

Machado nega as acusações e afirma que está sendo vítima de um “golpe” por parte de um grupo de dirigentes. “Não tem problema algum ocorrendo. A sede está fechada porque bandidos podem entrar. Há cerca de quatro meses, um grupo de dirigentes tentou me dar um golpe, para assumir o comando do PHS. Não tem funcionários sem salário. Apenas um está sem receber, pois foi expulso”, justifica.

Em relação ao imóvel no Lago Sul, Eduardo Machado afirma que é alugado e que está funcionando. “A casa que estamos usando atualmente é alugada. Quem for lá na terça e na quarta-feira vai perceber que está funcionando normalmente. É só chegar e entrar. A caminhonete realmente foi comprada pelo partido. Mas isso é para economizar com passagens de avião. Eu moro em Goiânia e preciso me deslocar toda semana para Brasília. De avião, ficaria muito caro. No fim do ano, ela estará na garagem do partido, à  disposição de seus integrantes”, completa Eduardo.


Denúncias pelo ar

O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) é mais um exemplo do mau uso do fundo partidário. Como revelou o Correio, o ex-vereador Eurípedes Gomes de Macedo Júnior, presidente da sigla, é acusado de utilizar o dinheiro público para a compra de um helicóptero, mansões, um avião bimotor e de contratar funcionários terceirizados por meio de empresas de parentes com o dinheiro público. Ao menos quatro denúncias contra Eurípedes são investigadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Uma delas se refere ao helicóptero da fabricante Robinson, modelo R-66, prefixo PP-CHF, avaliado em R$ 2,8 milhões, que é utilizado para os deslocamentos do ex-vereador da cidade de Planaltina de Goiás, local onde o Pros foi fundado, até uma casa pertencente à legenda, no Lago Sul. Desde sua criação, em 2013, o partido, que só tem cinco deputados, já recebeu 35 milhões do fundo partidário.


Valor menor

Em nota, a assessoria do Pros afirmou que o helicóptero é utilizado para uso do partido e rebateu as acusações de falsificação de documentos por parte de Eurípedes. “O helicóptero, como citado em resposta para matéria anterior, foi comprado para uso do partido. Importante salientar também que o helicóptero corresponde a valor menor que o gasto por outros partidos somente em fretes de voos e passagens em menos de um ano. Não existiu falsificação de atas. O Pros, bem como suas práticas, está dentro da legalidade. Acontece que ex-membros do partido, já expulsos por práticas irregulares, promovem essas falsas acusações. Inclusive há sentença transitada em julgado contra quem acusa”, informa a nota da legenda.
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