Advogada que levou Miller a escritório foi negociadora da Petrobras em 2014

A advogada deixou recentemente o escritório de advocacia onde trabalhava, em um movimento feito pelos sócios fundadores da Trench Rossi Watanabe

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postado em 06/09/2017 06:00 / atualizado em 06/09/2017 09:02

A advogada Esther Flesch, responsável por levar Marcelo Miller para o escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe — que atuou no acordo de delação da J&F —, foi a negociadora, em 2014, do fechamento de um acordo de compliance com a Petrobras, sete meses após o início da Operação Lava-Jato. Segundo o Correio apurou, o contrato inicial, firmado ainda sob a presidência de Graça Foster, era de R$ 10 milhões. Mas acabou vitaminado durante a gestão de Aldemir Bendine: o valor total beira, atualmente, os R$ 100 milhões.


Bendine está preso em Curitiba desde o fim de julho, acusado de pedir propina à Odebrecht às vésperas de assumir a presidência da Petrobras, em fevereiro de 2015. Ele teria continuado a pressionar os executivos da empreiteira quando já presidia a estatal e em plena vigência das investigações da Lava-Jato. Pessoas próximas a ele pressionam para o fechamento de um acordo de delação premiada, o que poderá expor ainda mais a atuação de Esther nesse campo de compliance.

A advogada deixou recentemente o escritório de advocacia onde trabalhava, em um movimento feito pelos sócios fundadores da Trench Rossi Watanabe, já aposentados, que formaram uma comissão para tentar “limpar a imagem” do escritório diante do desgaste decorrente da atuação no acordo de delação da J&F. Procurado pela reportagem, o escritório negou que haja uma intervenção branca. Mas a operação de assepsia já havia levado ao afastamento de Marcelo Miller.

A parceria fechada com a Petrobras, em outubro de 2014, veio para ajudar nos trabalhos do Comitê Especial criado por Graça Foster, que apurava as denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos primeiros executivos a fechar um acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava-Jato.

Composição

O Comitê é composto pela ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie; por Andreas Pohlmann, executivo da Siemens AG entre 2007 e 2010 — sendo responsável pela recuperação da empresa após um escândalo de corrupção e pagamento de propina —; e pelo ex-diretor de governança e Risco da Petrobras João Elek. Ele deixou o cargo após uma advertência da Comissão de Ética Pública da Presidência, ao contratar, sem licitação, em 2015, uma empresa de consultoria na qual a filha dele disputava uma vaga de emprego.

Para municiar os trabalhos da comissão, foram contratadas duas empresas independentes especializadas em investigação: a Trench, Rossi e Watanabe Advogado — graças à intermediação de Esther Flesch — e a norte-americana Gibson, Dunn & Crutcher LLP. Segundo fontes ouvidas pelo Correio, elas teriam sido admitidas, à época, sem licitação, com base em notório saber jurídico. Executivos do setor, contudo, buscaram blindar a atual direção da empresa, alegando que o comitê responde ao Conselho de Administração da Petrobras, mas não teria qualquer vinculação à atual diretoria, comandada por Pedro Parente.

R$ 100 milhões

Valor negociado em acordo de compliance com a Petrobras na gestão Aldemir Bendine
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carlos
carlos - 06 de Setembro às 08:43
ATÉ AS MULHER DO MORO É ADVOGADA E SÓCIA DE UM OUTRO ADVOGADO QUE CARLOS, O KAKAI DENUNCIOU QUE MORO O BENEFICIOU NA LAVA JATO!