PF encontra mensagens de WhatsApp que ligam Miller aos delatores da JBS

Ex-procurador participava de um grupo virtual onde também estava Joesley e Wesley Batista, de acordo com a Polícia Federal

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postado em 13/09/2017 21:38

Mensagens em um grupo de WhatsApp, encontradas no celular do presidente da JBS, Wesley Batista, ligam o ex-procurador Marcelo Miller às negociações do acordo de delação premiada dos executivos da JBS em um período que ele ainda ocupava um cargo no Ministério Público. De acordo com a Polícia Federal, no mesmo grupo do aplicativo estava Marcelo, e os irmãos Joesley Batista e Wesley Batista. A mensagem mais recente postada por ele no espaço é de 4 abril deste ano, um dia antes de ele deixar o cargo no Ministério Público do Rio de Janeiro.
De acordo com um relatório produzido pela PF, existem indícios de que outros integrantes na Procuradoria-Geral da República (PGR) sabiam que Miller estava atuando dentro do órgão em favor de Joesley Batista e Ricardo Saud. Em uma das mensagens, Marcelo é convidado para ir a uma reunião no dia 28 de março, em que os empresários da empresa assinariam um acordo de confidencialidade com a PGR. Esta é a primeira etapa de um acordo de delação premiada.

Durante o diálogo virtual, Francisco de Assis e Silva, executivo e advogado da JBS, afirma que "está tentando levar Marcelo ao encontro". O ex-procurador teria informado que não poderia ir, pois estaria trabalhando na data. Um dos trechos do relatório é ainda mais grave. Ele revela que pessoas de dentro do gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabiam da participação de Miller no acordo de delação de Wesley e Joesley Batista.

De acordo com o documento policial, a advogada Fernanda Tórtima diz que os procuradores Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot, e Sérgio Bruno, que também participou da força-tarefa da Lava-Jato, sabiam de uma viagem do ex-procurador aos Estados Unidos, para tratar do acordo de leniência. 

Em nota, Marcelo Miller afirmou que "repudia veementemente as insinuações e ilações feitas com base no conteúdo das gravações e mensagens divulgadas na imprensa". A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que “as informações não são verdadeiras, e se trata de conversa de terceiros fazendo suposições sobre a atuação de integrantes da força-tarefa do procurador na Lava-Jato perante o STF”. A instituição afirmou ainda que “desconhece esse relatório da PF”.
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