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Estado de Minas

Maggi rebate acusação de delatores: "Jamais utilizei de meios ilícitos"

O ministro da Agricultura Blairo Maggi é investigado pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça


postado em 14/09/2017 11:33 / atualizado em 14/09/2017 11:53

Polícia Federal fez buscas no apartamento do ministro Blairo Maggi, em Brasília (foto: AFP / EVARISTO SA)
Polícia Federal fez buscas no apartamento do ministro Blairo Maggi, em Brasília (foto: AFP / EVARISTO SA)


O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou uma nota nesta quinta-feira, (14/9), na qual diz jamais ter utilizado de "meios ilícitos" em sua vida pública e em suas empresas. Blairo é investigado por obstrução à Justiça e foi alvo de busca e apreensão na Operação Malebolge da Polícia Federal.

"Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional", diz trecho da nota.

Blairo diz ainda nunca ter agido ou autorizado alguém a agir em seu nome para obstruir a Justiça. ”Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja ‘mudanças de versões’ em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade”, afirma o ministro. 

Na nota, ele ainda afirma que não fez pagamentos ou autorizações de repasses ao ex-secretário Éder Moraes, e diz ainda que a acusação feita pelo ex-governador Silva Barbosa é “mentirosa”. 
 

Operação Malebolge


O apartamento de Maggi, em Brasília, foi vasculhado pela Polícia Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Investigado em inquérito perante o Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa, Blairo foi citado na delação premiada do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB).

Sinval Barbosa confessou ter intermediado repasse de R$ 4 milhões, a pedido de Blairo e do ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes ao deputado federal Carlos Bezerra, em 2008, com o fim de comprar apoio do PMDB nas eleições municipais. À época, segundo Barbosa, o partido teria declarado apoio ao adversário do aliado de Blairo.

O delator narrou que o então Secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes foi designado a conseguir os valores para pagar Bezerra e que apresentou ao chefe da pasta o operador financeiro Júnior Mendonça, que teria conseguido R$ 3,3 milhões - "parte em cheque, parte em dinheiro". Quando pediu a abertura de inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura "a função de liderança mais proeminente na organização criminosa" delatada por Silval Barbosa.

Agentes fizeram buscas em 65 endereços. Participam da ação 270 pessoas, entre policiais federais e membros do Ministério Público Federal (MPF), nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis (MT), Primavera do Leste (MT), Araputanga (MT), Pontes e Lacerda (MT), Tangará da Serra (MT), Juara (MT), Sorriso (MT), Sinop (MT), Brasília (DF) e São Paulo (SP). A ação é um desdobramento da Operação Ararath e foi batizada de Malebolge. O nome remete ao oitavo círculo do Inferno de Dante.

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