Janot: "Sabia que haveria um custo por enfrentar esse modelo corrupto"

Procurador-geral da República fez seu último pronunciamento no STF poucos minutos depois de oferecer uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer

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postado em 14/09/2017 18:14 / atualizado em 14/09/2017 18:49

Marcelo Camargo/Agência Brasil

 
Minutos depois de a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (14/9), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que estava na Corte para participar de sua última sessão como chefe do Ministério Público Federal (MPF), disse que, antes mesmo de assumir o cargo, sabia que "haveria um custo por enfrentar esse modelo político corrupto e produtor de corrupção".
 

"Tenho sofrido nessa jornada — que não poucas vezes pareceu-me inglória — toda a sorte de ataques. Resigno a meu destino, porque mesmo antes de começar sabia exatamente que haveria um custo por enfrentar esse modelo político corrupto e produtor de corrupção, cimentado por anos de impunidade e de descaso. Mas tudo isso para mim já se encontra nos escombros do passado. Os mortos, então, deixai-os a seus próprios cuidados. As páginas da história hão, certamente, de contar, com isenção e verdade, o lado que cada um escolheu para travar sua batalha pessoal nesse processo", afirmou o procurador-geral em seu discurso de despedida.
 
Ainda durante seu último discurso no STF, Janot afirmou ter militado “até o último instante” na defesa dos compromissos assumidos, exaltou o “instituto da colaboração premiada” e elogiou o Supremo, afirmando que “não poderia me furtar a testemunhar publicamente a retidão desta casa”. Para o procurador-geral, a Corte foi “firme e respeitou as leis da Constituição, mas não se acovardou” diante da Lava-Jato.
 
“O Ministério Público continuará a cumprir sua missão. Nós, do Judiciário, ficamos honrados com a instituição. Nós somos passageiros, mas a Justiça é permanente”, respondeu a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.
 

Denúncia 

Também nesta tarde, o procurador-geral apresentou nova denúncia ao presidente da República, Michel Temer. Poucos dias antes de deixar a chefia do Ministério Público, Janot acusou Temer de obstruir a Justiça e de participar de organização criminosa.
 
Inicialmente, a expectativa era de que as denúncias viessem separadamente. Mas, por conta do fim do mandato dele à frente do Ministério Público Federal (MPF), optou-se em juntar os dois assuntos numa peça única.
 
Na quarta-feira, Rodrigo Janot foi autorizado pelo STF a continuar com as investigações envolvendo o presidente Michel Temer. O Supremo, no entanto, não autorizou o oferecimento a nova denúncia. A sessão foi adiada para a próxima quarta-feira.
 
Como a suspensão não foi concluída, Janot, em tese, pode apresentar nova denúncia contra Michel Temer. A expectativa é de que Temer seja acusado de participação em organização criminosa. O risco, no entanto, é de que a peça fique parada no STF até a próxima semana.
 
Outra possibilidade é a denúncia perder a validade, o que acontece se os ministros entenderem que ela ainda não poderia ter sido oferecida pelo PGR. Rodrigo Janot deixa o cargo máximo do Ministério Público neste domingo, e será substituído por Raquel Dodge.
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