PODER EM CRISE

Dodge dá resposta instantânea sobre afastamento de procurador

Procuradora-Geral da República deve adotar medida de impacto para reverter crise de afastamento de procurador. Especialistas acham que isso será fundamental para não alimentar as "viúvas de Janot" dentro do Ministério Público Federal

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postado em 25/09/2017 06:05

José Cruz/Agência Brasil
 

A polêmica envolvendo a exoneração do procurador-regional da República Sidney Pessoa Madruga, flagrado em uma conversa com a advogada da J&F Fernanda Tórtima, obrigará a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a promover uma ação de impacto para reverter a má-impressão inicial. Aliados de Dodge admitem que ela foi ágil em exonerar o procurador, reconhecendo que ele se excedeu nas falas em um ambiente público. Mas a nova chefe do Ministerio Público Federal sabe que existem “viúvas” do antecessor Rodrigo Janot atentos a qualquer deslize.



Segundo apurou o Correio, essas ações de impacto podem ser, por exemplo, dar celeridade a algum acordo de delação premiada emperrado na Procuradoria. Ou, ainda, agir em outras áreas nas quais atua com desenvoltura, como Direitos Humanos e Meio Ambiente. Além disso, especialistas lembram que ela terá de dar um freio de arrumação na equipe, para impedir que outros auxiliares falem além da conta.

Na polêmica conversa, Madruga falava sobre a “tendência” da PGR em investigar o procurador Eduardo Pellela, ex-chefe de gabinete do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, por suposta atuação irregular nos acordos de delação premiada da JBS. No pedido de exoneração, Madruga afirma que o fez para preservar a credibilidade da instituição (...) e não permitir que se atinja o trabalho dos colegas que integram a valorosa equipe e a gestão que se inicia. “O Ministério Público não teme investigar quem quer que seja”, destaca o presidente da Associação Nacional dos Procuradores, José Robalinho Cavalcanti.

 

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Além da quantidade de atribuições e da importância do cargo, o fato de Dodge ter sido escolhida por Temer, mesmo tendo sido a segunda colocada na lista tríplice eleita pelos procuradores da República, aumenta a carga de responsabilidade sobre cada ato dela à frente do Ministério Público Federal (MPF).

Entretanto, no primeiro ato como procuradora-geral, Dodge já demonstrou que agirá com isenção em relação ao presidente. Apesar de aliados de Temer terem apostado que ela iria pedir a denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot para revisão, Dodge contrariou a defesa do peemedebista e analisou que não havia motivos para impugnar a viabilidade da denúncia antes da decisão da Câmara.

O memorial em que defendeu o envio da peça acusatória aos deputados foi o primeiro ato no Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira, durante a sessão de estreia na Suprema Corte, a procuradora-geral foi muito elogiada pelos ministros. Na ocasião, os magistrados analisavam se suspendiam a denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça de Temer até que as provas obtidas por meio da delação da JBS fossem validadas — tese rejeitada por 10 a 1.

Dodge usou trecho do livro do ministro Alexandre de Moraes para sustentar que o recebimento da denúncia é “o primeiro ato decisório” a ser praticado pelo STF, o que só acontece “desde que tenha a autorização da Câmara dos Deputados”. “Se este momento (do recebimento da denúncia) chegar, a defesa terá ampla margem de atuação para suscitar todas as questões que entender necessárias”, escreveu. A leitura do documento será feita na segunda-feira no plenário da Câmara e, em seguida, Michel Temer será notificado.

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