Eduardo Cunha quer permanecer em Brasília a todo custo

Ex-deputado pede ao juiz Sérgio Moro para cumprir pena na capital. Depois de prestar depoimento, ele terá que voltar a Curitiba no dia 9

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Wanderlei Pozzembom/Agencia Brasil


O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha quer a todo custo permanecer em Brasília. A defesa do político já entrou com diversos pedidos pela extensão do prazo concedido pela Justiça Federal para que ele retorne ao Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Os advogados do peemedebista solicitam ainda que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curituba, autorize a permanência definitiva no Distrito Federal, onde está desde 15 de setembro. Cunha foi preso em outubro do ano passado. A tentativa incessante do peemedebista de ficar em Brasília esbarra no magistrado paranaense, que já determinou uma data para o retorno dele ao Sul do país: 9 de outubro.

Eduardo Cunha está detido desde 19 de outubro do ano passado, acusado de integrar o esquema criminoso investigado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, e que desviou recursos da Petrobras. Ele foi condenado por receber propina em contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África. A pena dele é de 15 anos e quatro meses de reclusão, sendo três condenações por lavagem de dinheiro e 14 por evasão de divisas. A Lei de Execução Penal prevê que o juiz poderá determinar o local de cumprimento da pena.

Atualmente, Cunha está preso em uma cela da Delegacia de Polícia Especializada (DPE), da Polícia Civil do Distrito Federal. Mas, caso seja aceito o pedido de cumprimento de pena na capital, ele deve ser enviado ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde estão outros presos da Lava-Jato, como o doleiro Lúcio Funaro e executivo Ricardo Saud.

Para ficar no Distrito Federal, Cunha alega que aqui está a ex-mulher, Cristina Dytz, de 54 anos, mãe de três filhos do político. O advogado Délio Lins e Silva, que defende o ex-deputado, confirma o motivo. “Já foi autorizada a permanência dele em Brasília até o depoimento. Mas ainda não obtivemos resposta sobre o pedido para que ele fique aqui de forma definitiva. Ele quer ficar aqui porque tem uma ex-mulher, mãe de três dos filhos dele: Danielle, 30 anos, Camila, 27, e Felipe, 24. Também fica mais fácil para a defesa, os advogados são todos daqui. Lá em Curitiba, não tem ninguém da defesa dele”, argumentou Délio.

No entanto, a ex-mulher de Cunha vive uma realidade bem distante da rotina luxuosa que o parlamentar levava no Rio de Janeiro, onde morava antes de ser preso. Professora de informática em um cursinho da família, ela precisou da ajuda de amigos e parentes para fazer um tratamento dentário. Após 13 anos de casamento, eles terminaram quando Cunha começou a sair com Cláudia Cruz.

Apesar de manter uma relação distante com a ex-mulher, outra explicação para o desejo do peemedebista pode ser a segurança pessoal. O presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Flávio Werneck, afirma que o Complexo Penitenciário da Papuda é um dos mais seguros do país, o que pode motivar o pedido de agentes políticos para permanecer na capital. “Pela estrutura e pelo treinamento da equipe, a Papuda está entre os presídios mais seguros do sistema prisional. Os agentes penitenciários são bem treinados, e existe um bom plano de segurança”, destaca.

Eduardo Cunha presta depoimento em Brasília no próximo dia 9. Em um despacho autorizando a permanência dele em Brasília por mais alguns dias, Moro determina que ele seja enviado para o Paraná imediatamente após a audiência. Uma fonte ligada à Polícia Federal informou ao Correio que o interesse de políticos envolvidos no esquema da Lava-Jato em permanecer em Brasília deve colocar a Justiça em alerta. “Aqui funcionou o centro operacional do esquema. Eles têm contatos no meio político e grande influência”, destacou.

Ontem, Cunha completou 59 anos. O ex-deputado recebeu visitas na cela. Pela manhã, o peemedebista se encontrou com a mulher, a jornalista Cláudia Cruz. Segundo funcionários do local, ela teria ficado durante duas horas com o marido. A sexta-feira, tradicionalmente, não é um dia de visitas na carceragem da Polícia Civil. Mas, como Eduardo está sob as regras da Justiça Federal, a visita ocorreu sem atrair a atenção. À tarde, se reuniu com advogados.
 
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