Da ala oposicionista, Júlio Delgado é escolhido novo líder do PSB na Câmara

O parlamentar mineiro deve ficar no posto até o fim do ano, quando a bancada deve realizar eleição de novo líder, que atuará no ano legislativo de 2018

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postado em 18/10/2017 13:37

Minervino Junior/CB/D.A Press
Integrante da ala do PSB que faz oposição ao governo Michel Temer, o deputado Júlio Delgado (MG) foi escolhido nesta quarta-feira (18/10), novo líder do partido na Câmara. Ele assumiu o posto após conseguir assinaturas de 20 dos 37 integrantes da bancada apoiando a destituição da então líder, deputada Tereza Cristina (MS), e a escolha dele como substituto dela. O parlamentar mineiro deve ficar no posto até o fim do ano, quando a bancada deve realizar eleição de novo líder, que atuará no ano legislativo de 2018.

Ao Broadcast Político (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), Delgado informou que mudará dois dos quatro membros titulares do PSB na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve votar nesta quarta-feira a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. 

O novo líder deve substituir os deputados Danilo Forte (CE) e Fábio Garcia (MT), que são da ala governista, pelos deputados Danilo Cabral (PE) e Hugo Leal (RJ), que devem votar contra Temer. Os outros dois integrantes titulares do PSB na CCJ são o próprio Delgado e Tadeu Alencar (PE), também favorável à aceitação da denúncia contra Temer.

Delgado já tinha conseguido assinaturas suficientes para ser escolhido novo líder do PSB no fim da noite da terça-feira (17/10). Na manhã desta quarta-feira, contudo, perdeu uma das assinaturas, em razão da exoneração do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, que retornou ao mandato de deputado. 

Com a volta de Coelho para a Câmara, a deputada Creuza Pereira (PE), que era suplente, teve de deixar o mandato e, assim, sua assinatura não valeu. No fim da manhã, porém, Delgado conseguiu uma nova assinatura: a do deputado Leopoldo Meyer (PR).

Coelho foi exonerado do cargo, oficialmente, para retomar o mandato parlamentar e garantir a apresentação de emendas individuais ao Orçamento de 2018. Assim como o ministro de Minas e Energia, o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), também foi exonerado. Jungmann, porém, ainda não tinha reassumido o mandato quando Delgado protocolou a lista. Caso tivesse assumido, ele faria Delgado perder mais uma assinatura: a do deputado Severino Ninho (PE). Como o ministro da Defesa não reassumiu a tempo, a assinatura de Severino foi validada. 

Racha


O PSB vive uma crise interna por causa do racha na bancada, dividida entre o grupo pró-Michel Temer e o grupo de oposição ao governo. Essa divisão fica mais evidente na CCJ, na qual o partido tem quatro vagas. No colegiado, dois votam a favor do arquivamento da denúncia e outros dois pela admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A direção do partido fechou questão a favor da denúncia, mas só Delgado e Tadeu Alencar seguirão a determinação partidária.

Integrantes da ala governista, Tereza Cristina, Danilo Forte, Fábio Garcia e Fernando Coelho enfrentam um processo de expulsão do partido. A saída forçada dos filiados só não se concretizou na segunda-feira (16/10), porque o Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve uma liminar proibindo o PSB de expulsá-los.
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