CPMI foca trabalhos no depoimento de ex-chefe de gabinete de Janot

Governistas têm aproveitado a comissão para buscar irregularidades na delação premiada da empresa, que embasou as duas denúncias contra o presidente Michel Temer

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postado em 01/11/2017 10:13

Evaristo Sa/AFP - 1/8/17
Depois de ter as expectativas frustradas por causa do silêncio do ex-executivo do grupo J&F Ricardo Saud, parlamentares da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) focam os trabalhos no depoimento do procurador da República Eduardo Pellela, que foi chefe de gabinete do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Instalada, inicialmente, para investigar irregularidades nas operações realizadas entre a JBS e o BNDES, entre 2007 e 2016, governistas têm aproveitado a comissão para buscar irregularidades na delação premiada da empresa, que embasou as duas denúncias contra o presidente Michel Temer.

Pellela havia sido convidado a depor hoje à CPMI, mas se negou a comparecer. “Devo declinar do honroso convite uma vez que o sigilo profissional imposto aos membros do Ministério Público Federal impede-me de prestar quaisquer esclarecimentos sobre os atos praticados em razão da função desempenhada e afetos ao meu ofício”, afirmou em mensagem enviada ao presidente do colegiado, senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO). Diante da negativa, parlamentares aprovaram um requerimento de convocação como testemunha a Pellela, quando a pessoa não pode se recusar.

“Não nos restou outra situação a não ser transformar esse convite em convocação. Como testemunha, ele é obrigado a falar a verdade. Esse pessoal que tem tanto a esconder que acaba fazendo com que o silêncio seja ensurdecedor. Vejo essa recusa do Pellela como um fato muito grave”, comenta o relator-geral da CPMI, deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

A atitude fez com que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) renunciasse à vaga na comissão. “O alvo da CPMI da JBS, da sua concepção aos dias de hoje, sempre foi um só: enxovalhar o sistema de Justiça, desqualificando quem tem o dever constitucional de punir corruptos, em socorro daqueles que se julgam acima da lei”, escreveu em carta ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Por meio de nota, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, repudiou a convocação. “Já foi dito por importante membro da Comissão que CPI buscaria ‘investigar quem nos investiga’. Isto soa a vingança, a retaliação pura, e não é aceitável em um estado de direito e em um país que busca progredir pela atuação e respeito entre as instituições”, afirma trecho da nota, em referência a uma declaração à imprensa dada pelo relator Carlos Marun.

Silêncio em depoimentos

Preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde setembro -- quando a delação da JBS foi suspensa pelo MPF -- Ricardo Saud se negou a responder as perguntas dos parlamentares, que insistiram por um tempo, mas desistiram. “As palavras do senhor, que eu quero ajudar o país, eu quero, mas a primeira vez que eu sentei para falar a verdade eu fui preso. Já pensou se eu continuar falando? Então eu vou ficar calado”, disse Ricardo Saud, em resposta ao deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), que disse sentir que ele quer ajudar o Brasil.

Parlamentares esperavam que, como Saud não é da família dos irmãos Joesley e Wesley Batista, não é dono da empresa, ele fosse falar para se salvar e comprometer ainda mais os antigos chefes, porém, com expectativa de ter o acordo de delação premiada restabelecido, Saud se calou. Flagrado em conversa com Joesley Batista, na qual afirmam que não teriam entregado tudo para a Procuradoria-Geral da República, o empresário perdeu os benefícios conquistados com a delação. Não há previsão de que o ministro relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin, revise os termos da colaboração da JBS.

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Messias
Messias - 01 de Novembro às 17:01
Lamentável. Mais da metade dos senadores e de deputados que compõem a CPMI a respeito da JBS, não têm moral para investigar a quem quer que seja, porque são também comprometidos até mesmo com a própria JBS. Arre éguas. Nosso país está à deriva, como que em mãos de mafiosos.