Vazamento global aponta que Meirelles e Blairo Maggi são donos de offshores

Arquivo com 13,4 bilhões de documentos revela investimentos de cerca de 120 políticos e personalidades de 50 países em paraísos fiscais. Ministros de Temer negam irregularidades

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postado em 06/11/2017 10:52

Lula Marques/Agência PT

Um arquivo com 13,4 bilhões de documentos revela investimentos e atividades offshore de cerca de 120 políticos, empresários, personalidades e esportistas de 50 países – entre eles, o Brasil. São mencionados no “Paradise papers” – nome dado à documentação – os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles e da Agricultura, Blairo Maggi. 

Meirelles é citado por ter criado a Sabedoria Fundation, nas Bermudas, para gerir uma herança. Em entrevista nesta segunda-feira à rádio Band News, o ministro afirmou que se trata de uma entidade filantrópica exclusivamente para investir recursos em educação no Brasil, após a sua morte.

O ministro alegou ainda que à época em que foi criada a fundação, ele dirigia uma grande empresa internacional e vivia no exterior, cumprido as regras internacionais. A Sabedoria Fundation foi criada em 23 de dezembro de 2009, uma semana antes de ele assumir o Banco Central. 

De acordo com Meirelles, a doação feita para a abertura da fundação, assim como tudo mais a seu respeito, foi declarado no Imposto de Renda. 

Meirelles também aparece nos arquivos vazados da Appleby relacionado a outra offshore (Boston – Administração e Empreendimentos Ltda), criada em 1990 e encerrada em 2004. 
 
Beto Barata/PR


Em relação a Blairo Maggi, a Paradise Papers mostrou que ele é beneficiário final de uma companhia aberta nas Ilhas Cayman em 2010, a Ammagi & LD Commodities SA. Ele seria diretor da offshore, junto com familiares. 

O nome da empresa é o mesmo adotado por outra registrada no Brasil, em que a família Maggi e a holandesa são sócias. É uma joint venture especializada na produção e comercialização de matérias-primas, especialmente grãos. Blairo Maggi negou qualquer irregularidade. 

Ter uma offshore não é crime

As informações vazaram de uma consultoria nas Bermudas e uma empresa em Cingapura, e foram divulgadas pelo jornal alemão Süddesutsche Zeitung. Os dados encaminhados anonimamente ao jornal de Munique foi compartilhado com jornalistas de todo o mundo. No Brasil, as informações foram repassadas ao site Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues. 

Meirelles encaminhou ao Poder 360 uma cópia da sua declaração de IR em que a Sabedoria é listada. Ao mesmo site, Blairo Maggi afirmou que não recebeu pagamentos diretos da empresa nas ilhas Cayman – apenas daquela sediada no Brasil. 

Segundo o jornal alemão Süddesutsche Zeitung, a maior parte das informações vem do escritório de advocacia Appleby, especializado em empresas offshores. Entre os seus clientes estão o Citigroup, o Bank of America, Apple, Uber e Nike. 

Ter uma empresa offshore não é crime, desde que a existência dela e todas as contas bancárias associadas sejam comunicadas à Receita Federal para o pagamento dos impostos.

Apesar de serem legais, empresas offshore costumam ser usadas para práticas ilegais, como a sonegação fiscal e evasão de divisas. Outra irregularidade é a criação de fundos paralelos para o pagamento de propinas, sem registro na contabilidade oficial da empresa. (Com agências)
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