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Estado de Minas

Previdência: governo crê que "efeito manada" pode influenciar indecisos

Na lógica do governo, caso o texto receba a maioria dos votos dos deputados nos primeiros momentos da votação, a chance de os parlamentares indecisos apoiarem o projeto da Previdência aumenta. O problema é que a conta atual ainda é baixa


postado em 13/12/2017 06:00 / atualizado em 13/12/2017 00:33



Nos últimos dias de articulação antes de se esgotar o prazo para aprovar a reforma da Previdência ainda em 2017, o governo luta para conseguir uma margem de votos suficiente para que a matéria possa ser pautada na semana que vem. “É como final de campeonato com jogo empatado aos 20 minutos do segundo tempo”, definiu uma fonte do Executivo. Ainda com apoio entre 270 e 290 deputados, governistas acreditam que é necessário ter uma margem de 315 para “partir para o tudo ou nada”, nas palavras do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Duzentos e setenta não é número suficiente para poder contar com o “efeito manada”, com o qual o governo conta e que pode ser decisivo no plenário: se a maioria votar a favor e mostrar grandes chances de aprovação, os que estão em cima do muro devem se manifestar e engrossar a lista.

A aposta é na gangorra da Previdência: os parlamentares que estiverem no meio, nem favoráveis nem contrários, tendem a escorregar para o lado mais pesado — no caso, o que tiver mais chances de vencer. Entre os cerca de 100 indecisos, há dois grupos: um que é a favor da reforma, mas votará contra, por medo de perder votos nas eleições, e o outro que até está disposto a encarar o desgaste eleitoral, desde que tenha a certeza que a matéria passará. A segunda corrente acredita que será possível reconquistar os eleitores quando os efeitos econômicos positivos da reforma começarem a aparecer. “A conta que eles fazem é que pode haver até ter uma reação imediata negativa por parte da população, mas ela será neutralizada pelas reações positivas depois que a matéria tiver os efeitos desejados, como retomada de emprego”, explicou o consultor legislativo da Câmara Leonardo Rolim.

Ontem, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que, se as regras atuais de aposentadoria forem mantidas, a renda dos brasileiros poderá ser corroída em até cinco salários mínimos. “Em um cenário de risco mais elevado, em três anos, cada cidadão brasileiro perderá R$ 4,5 mil de renda caso o risco país volte a ser o que era antes. O Produto Interno Bruto (PIB) vai cair, a inflação vai subir, o desemprego vai aumentar”, resumiu. Outra redução, segundo a pasta, é de 3 milhões de postos de trabalho deixarão de ser criados, caso a reforma não passe.


Ânimo

Para evitar que isso ocorra, o governo pretende conseguir, ao menos, um número muito próximo dos 308 que são necessários para se aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) até sexta-feira, para dar ânimo aos deputados indecisos e incentivar uma “onda positiva”, da mesma forma que aconteceu na época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015. Na ocasião, quando os deputados viram que o plenário já estava praticamente decidido a favor do impedimento, passaram a votar de acordo com a maioria. “Foram virando os votos. Isso pode acontecer agora também”, acredita um dos vice líderes do governo, Beto Mansur (PRB-SP). “Antes de pautar, será necessário fazer uma avaliação para ver quantos votos temos e quem estará na cidade no dia da votação”, acrescentou.

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O fechamento de questão seria “a desculpa ideal” para os indecisos convictos da necessidade da reforma, mas ainda é um desafio para o governo. Por enquanto, PMDB, PPS e PTB decidiram obrigar o posicionamento favorável dos deputados no plenário. Partidos grandes, como o PSDB, que conta com 46 deputados, teriam um papel importante no efeito manada. Entre os tucanos, há vários focos de resistência, sendo um deles a disputa eleitoral. Alguns acreditam que, se a reforma for aprovada, o ministro da Fazenda e pré-candidato pelo PSD, Henrique Meirelles, subirá nas pesquisas e poderá ofuscar o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

O DEM, apesar de já garantir maioria expressiva, estuda fechar questão até amanhã, mas ainda não se posicionou oficialmente. Já o PR está decidido a manter os deputados livres para decidirem os votos, que não devem passar de 10 favoráveis. Nos bastidores, deputados afirmam que o motivo é a pressão da bancada da bala, muito forte na legenda. O medo é que, aprovada a reforma, o foco se volte aos militares, que ficaram de fora do texto. Se as regras para servidores públicos e para a iniciativa privada forem equiparadas, faltará apenas os militares, que, apesar de intocados, respondem por quase metade do deficit da Previdência da União. Por esse ponto de vista, quanto mais tempo postergar a discussão, melhor para eles.

Colaborou Deborah Fortuna, especial para o Correio

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