Publicidade

Estado de Minas

Três acusados na Lava-Jato deixam a prisão para um Natal de luxo

Marcelo Odebrecht, Adriana Ancelmo e Lúcio Funaro vão cumprir pena em mansão no Morumbi, condomínio no Leblon e fazenda


postado em 20/12/2017 08:15 / atualizado em 20/12/2017 08:25

(foto: Arte/EM/DA Press)
(foto: Arte/EM/DA Press)
Pelo menos três presos na Operação Lava-Jato vão passar o Natal bem melhor acomodados do que a grande maioria da população brasileira. Nos últimos dois dias, a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo, o empresário Marcelo Odebrecht e o doleiro Lúcio Funaro ganharam na Justiça o direito de sair da cadeia e ir direto para as suas casas de luxo, duas delas localizadas em bairros com o metro quadrado mais caro do Brasil: Leblon, no Rio de Janeiro, e o Morumbi, em São Paulo. Nos novos endereços, com direito a piscina e hidromassagem, eles serão monitorados e sujeitos a restrições.

Presenteada com pelo menos R$ 1 milhão em joias pelo marido, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, preso por corrupção – e que ontem sofreu sua quarta condenação, totalizando 87 anos de cadeia –, Adriana Ancelmo deixou a prisão de Benfica, na Zona Norte do Rio, na manhã de ontem rumo ao apartamento luxuoso no Leblon, Zona Sul do Rio. Ela foi liberada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que concedeu a prisão domiciliar.

Adriana Ancelmo foi condenada a 18 anos e três meses de prisão e foi beneficiada outras vezes com a prisão domiciliar por ter filhos menores de idade. A mulher de Cabral vai para o endereço na esquina da Avenida Delfim Moreira com Rua Aristides Espínola, um dos condomínios mais disputados do Leblon, com vista para o mar. Em março deste ano, em uma das vezes que foi cumprir pena em casa, ela foi alvo de protestos pedindo direitos iguais para as detentas pobres.

O empresário Marcelo Odebrecht também deixou a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, na manhã de ontem e seguiu para um condomínio residencial de alto luxo no Morumbi, Zona Oeste de São Paulo. O local conta com forte esquema de segurança para as 40 casas de quem pode pagar pelo oásis, o que o manterá distante de curiosos e jornalistas. O condomínio tem áreas de lazer privativas para cada morador, com piscinas, adegas, churrasqueiras e até cinemas. As casas custam entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões. Segundo especulações do mercado imobiliário, a casa de Odebrecht tem 3 mil metros quadrados e custa entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões.

Odebrecht ficou dois anos e meio preso na carceragem da PF por envolvimento na Lava-Jato. Herdeiro de uma das maiores empresas do Brasil, ele foi preso em 2015 e condenado a 31 anos e seis meses em regime fechado pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A soltura faz parte de um acordo assinado por ele na delação premiada, pelo qual ele passaria o restante da pena em casa com tornozeleira eletrônica. O acessório vai custar ao condenado R$ 149 por mês.

Tênis 

Já o doleiro Lúcio Funaro teve a prisão domiciliar autorizada ontem pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10 ª Vara Federal. Considerado um dos homens-bomba da Lava-Jato, ele vai para uma fazenda em Vargem Grande do Sul, em São Paulo. Funaro estava preso desde junho de 2016 no Complexo da Papuda, em Brasília. Em agosto deste ano, fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público. Inicialmente, o juiz havia sugerido que Funaro cumprisse a prisão domiciliar em Brasília, mas a defesa propôs instalar câmeras por meio das quais a Justiça poderá monitorá-lo 24 horas. O sítio conta com uma ampla área verde, um heliponto e uma quadra de tênis.

Até que os equipamentos sejam instalados – a previsão é de que isso ocorra até 2 de janeiro – ele ficará em sua casa na capital paulista. Funaro tentou, sem sucesso, aprovar uma lista de visitantes que incluiria um amigo para jogar tênis. O lobista, que implicou figuras como o presidente Michel Temer e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, deve estar disponível para videoconferências sempre que solicitado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade