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Estado de Minas

Candidatos à Presidência começam preparação para campanha eleitoral em 2018

Chega a virada e começa a preparação para o desfile eleitoral, que promete surpreender a todos, inclusive, em relação aos protagonistas da festa


postado em 30/12/2017 06:00 / atualizado em 30/12/2017 09:17

 


O universo da política que se apresentará ao eleitor em 2018 espera o destino do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da mesma forma que o público do sambódromo aguarda ansioso a magia da entrada das escolas de samba. Por isso, em 24 de janeiro, data do julgamento do ex-presidente no TRF da 4ª Região, políticos ficarão a postos, assim como os foliões.

 

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Lula ainda é o que o PT tem de força eleitoral, e a única vez em que o partido testou seu poder de transferência de votos foi com o governo federal na mão, servindo de alicerce para a candidatura de Dilma Rousseff. Em condições adversas, ou seja, com o partido na oposição, esse poder jamais foi testado.“Quando passar o julgamento, começará a ter contornos mais concretos. Já há a movimentação de partidos aliados em função disso. Agora, ele acaba sendo o grande centro das atenções, mas o jogo começou. Hoje, não se sabe quanto o Lula transfere de votos”, diz o cientista político Ricardo Caldas, que desde já avalia os movimentos.

Enquanto aguardam para saber como será o desfile do PT, que venceu as quatro últimas eleições presidenciais, os pré-candidatos começam os ensaios para testar a empatia com o eleitor, cada um no próprio galpão, ou melhor, partido. Hoje, o Correio traz a relação das agremiações mais tradicionais, que integram uma espécie de grupo especial da política, caso de Lula e de siglas como o PSDB, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

No galpão tucano, as brigas internas provocaram estragos em algumas alegorias e, por isso, alguns aliados que se preparavam para engrossar o desfile voltam os olhos para o som que sai dos tambores do ensaio da bateria do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele apresentou o samba-enredo ao eleitorado antes do Natal, num programa voltado à melhoria do cenário econômico. Porém, se as boas novas da economia forem além do esperado, a ponto de alavancar a popularidade do presidente Michel Temer, é o peemedebista quem desfilará no alto do carro alegórico governista.

Amanhã, o eleitor conhecerá aqueles que estão hoje no grupo de acesso, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Rodrigo Maia e Manuela D’Ávila. Em seguida, virão aqueles que, sem uma grande estrutura, fazem questão de se apresentar no carnaval político, ainda que seja como um “bloco de rua”. Boa leitura!

Luiz Inácio Lula da Silva


» Agremiação: PT

» Conjunto: 1.585.958 de filiados, 9,492% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 5 governadores, 9 senadores, 57 deputados federais, 106 deputados estaduais, 256 prefeitos

» Evolução: presidente da República (2003-2011) e deputado federal (1897-1991)

» Enredo: discurso radical à esquerda com maior foco em programas sociais e na distribuição de renda.
Mestre-sala e porta-bandeira: Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann

» Comissão de frente: Jacques Wagner, José Guimarães, Carlos Zarattini

Aposta na tradição

 

O PT mobilizará toda a estrutura para o ensaio geral, em 24 de janeiro, quando Lula

será julgado no TRF-4, em Porto Alegre. Mesmo se o ex-presidente sair de lá

condenado, a ordem é mantê-lo como principal carro alegórico enquanto der, nem

que toda a escola tenha de empurrá-lo. A única hipótese de ele não ser candidato é se os jurados o tirarem da avenida. 

 

Porém, o enredo de um condenado não é considerado o melhor para se empolgar o eleitor, ainda que seja Lula. “Isso vai influenciar no voto do eleitor. A população brasileira é muito conservadora. Se ele for condenado, tudo muda. Ele deixa de ser

candidato livre para ser um candidato que pode ser preso a qualquer momento”, comenta o professor da Universidade de Brasília Ricardo Caldas. 

 

E, por mais que não admita, a insegurança faz o PT pensar em planos B. A segunda opção do partido já foi o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que hoje está se preparando, ainda que a contragosto, para a festa de São Paulo, como candidato ao Senado. No desfile mais esperado do ano, o presidencial, o PT baiano põe o ex-ministro, ex-deputado e ex-governador Jaques Wagner no lugar de destaque que seria ocupado por Lula.

 

Além do entrave judicial, o PT ainda terá de lidar com a rejeição do público. Apesar da tradição carnavalesca, a agremiação foi uma das protagonistas dos últimos escândalos de corrupção e de desvios de dinheiro público que chocaram o país e o mundo. Para isso, Lula — ou o substituto — pretende usar o peso da história. O discurso é trazer à tona o legado que o ex-presidente deixou para a sucessora Dilma Rousseff, independentemente de a culpa dos tropeços sobrar para a companheira.

 

Marina Silva


» Agremiação: Rede

» Conjunto: 20.704 filiados, 0,124% 
do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 1 senador, 4 deputados federais, 
5 deputados estaduais e 6 prefeitos

» Evolução: senadora (1995-2011); ministra do 
Meio Ambiente (2003-2008), deputada estadual 
(1991-1995) e vereadora (1989-1991)

» Enredo: retomar o crescimento econômico 
com sustentabilidade

» Mestre-sala: Heloísa Helena

» Comissão de frente: Miro Teixeira, 
Randolfe Rodrigues

Ritmo de afastamento


Marina Silva vem travestida de Mocidade Independente. Pelo andar da carruagem eleitoral, não promete reunir muitos aliados no primeiro turno nem manterá todos os deputados da Rede no partido, uma vez que alguns cogitam sair para garantir a própria reeleição. A tendência é de que seja uma festa mais modesta focado no desenvolvimento sustentável.


Para completar, os primeiros acordes que ela mostrou do samba-enredo descarta quase todo o espectro da política. “A gente tem que dar para o PT, para o PMDB, para o PSDB, para o DEM e seus aliados um sabático de quatro anos para que eles possam rever seus estatutos, olhar na cara das pessoas, e se reinventar, para, só depois, se colocarem de novo na disputa”, afirmou Marina, quando do lançamento da pré-candidatura.

 

Mesmo assim, o potencial da candidatura da acriana não pode ser descartado. A ex-senadora tem um eleitorado fiel e pode ser o peso que fará diferença em um possível segundo turno. Nas últimas eleições, a candidata ficou em terceiro na disputa, com 21,32% dos votos válidos. E, apesar do distanciamento do ex-presidente Lula, analistas acreditam que ela tenham potencial para conquistar os votos do petista, caso ele não seja candidato.

 

Ciro Gomes


» Agremiação: PDT

» Conjunto: 1.255.726 de filiados, 7,515% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 2 governadores, 2 senadores, 20 deputados federais, 75 deputados estaduais e 6 prefeitos

» Evolução: deputado federal (2007-2011); ministro da Integração Nacional (2003 a 2006); ministro da Fazenda (1994-1995); governador do Ceará (1991-1994); prefeito de Fortaleza (1989-1990) e deputado estadual (1983-1988)

» Enredo: um dos principais temas é a revogação das reformas feitas pelo atual governo, principalmente, a que mudou as leis trabalhistas

» Mestre-sala: Carlos Lupi e Cid Gomes

» Comissão de frente: Pedro Taques e André Figueiredo

Tom de enfrentamento

Ciro Gomes andou por praticamente todas as escolas de samba do espectro político. Já foi do PSDB, do PPS, do PSB, aliado e adversário do PT. Agora, desfilará num partido tradicionalmente aliado a Lula, porém, já falou tão mal dos petistas nos últimos tempos que se complicou como alternativa de votos para a turma ligada a Lula no 1º turno.

 

Ciro Gomes andou por praticamente todas as escolas de samba do espectro político. Já foi do PSDB, do PPS, do PSB, aliado e adversário do PT. Agora, desfilará num partido tradicionalmente aliado a Lula, porém, já falou tão mal dos petistas nos últimos tempos que se inviabilizou como alternativa de votos para os petistas no primeiro turno.

 

Com um samba que pretende bater nas reformas promovidas pelo atual governo, principalmente, a que alterou a legislação trabalhista, o ex-ministro da Fazenda sugere um projeto nacional de desenvolvimento em que o foco do investimento esteja menos nos bancos e empresários e mais no trabalhador. 

 

Geraldo Alckmin


» Agremiação: PSDB

» Conjunto: 1.456.534 de filiados, 8,717% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 6 governadores, 11 senadores, 46 deputados federais, 96 deputados estaduais e 803 prefeitos

» Evolução: governador de São Paulo (2001-2006 e 2010 à atualidade); secretário estadual de desenvolvimento (2009); Vice-governador de São Paulo (1995-2001); deputado federal (1987-1994); deputado estadual (1982); prefeito de Pindamonhangaba (1977) e vereador (1972)

» Enredo: união com os partidos de centro para um discurso de desenvolvimento social, com privatizações e reformas

» Mestre-sala: Wanderlei Macris e Júlio Semeghini

 

» Comissão de frente: Ricardo Tripoli, Carlos Sampaio, Sílvio Torres

O samba da renovação

Os tucanos chegam empunhados do azul da Portela, grande em carnavais passados, porém com o desafio de se renovar. Depois das brigas internas provocadas pela disputa de poder entre os aliados de Aécio Neves e do senador Tasso Jereissati e ainda a posição rachada do partido quanto às denúncias envolvendo o presidente Michel Temer, os tucanos entregaram ao governador paulista a tarefa de consertar os estragos nas alegorias e componentes.

 

Se conseguir, tem chances de apresentar uma escola harmônica, “sem buracos” ou samba atravessado. Antes de começar a ensaiar o enredo definitivo para 2018, terá de organizar o galpão, uma vez que o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, quer prévia para a escolha daquele que terá lugar de destaque na escola de samba tucana. Com a disputa, Alckmin corre o risco de entrar na avenida com um “buraco” na região Norte, onde não é conhecido, nem tem votos. 


Enquanto prepara os tucanos para o desfile no sambódromo da sucessão, o governador tem de dar atenção à quadra paulista. Há quem diga que, se Serra insistir em concorrer ao título paulista, Alckmin terá de apoiá-lo sob pena de perder aliados. Para completar, ainda tem o governador de Goiás, Marconi Perillo, na reserva, esperando para ver se o carro de Alckmin quebra e se ele assume o lugar.

Henrique Meirelles


» Agremiação: PSD

» Conjunto: 323.602 de filiados, 1,937% do eleitorado

» Alegorias: 2 governadores, 4 senadores, 38 deputados federais, 80 deputados estaduais e 539 prefeitos

» Evolução: ministro da Fazenda (de 2016 à atualidade). Economista, presidente mundial do BankBoston, deputado federal eleito em 2002, renunciou para assumir a presidência do BC, em 2003

» Enredo: a nota principal é a reforma da Previdência. A intenção é mostrar que só a melhora da economia traz segurança de crescimento, justiça social e distribuição de renda

» Mestre-sala: Gilberto Kassab e o mercado financeiro

 

» Comissão de frente: Marcos Montes, Robinson Faria, Raimundo Colombo

O legado no tamborim

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, surge como a Grande Rio: o partido jamais levou um título. Porém, não perde a esperança de levar o estandarte de ouro eleitoral. Nas vésperas do Natal, ele surgiu na tevê repaginado. O programa sombrio do PSD do ano passado foi substituído por uma imagem clara do ministro numa camisa azul impecavelmente engomada. A mensagem trouxe uma pequena biografia do ministro e o levou ao posto daquele que tirou o país do atoleiro. Com todo cuidado textual, a expressão reforma da Previdência foi substituída por “nova Previdência para garantir as aposentadorias”.


Meirelles foi incisivo ao dizer que a recuperação da economia, do emprego e da renda é o melhor programa social que um governo pode ter. Citou que a melhoria do emprego não é sentida pelo grosso da população porque os índices são elevados, mas carrega o que o eleitor deseja: esperança em dias melhores.

 

O sonho de carnaval é repetir Fernando Henrique Cardoso, que, em 1994, aprovou o Plano Real, garantindo, assim, a passagem de primeiro turno para a presidência. Assim como Meirelles hoje, FHC também foi um ministro da Fazenda depois de um impeachment, o de Fernando Collor. FHC, entretanto, foi o quarto ministro da Fazenda de Itamar Franco e Meirelles foi logo convidado por Temer.
Entretanto, na apresentação que Meirelles fez na tevê, faltou citar o presidente. Hoje, se a economia melhorar além do ponto previsto, o PMDB pressionará Temer a sair candidato. 


Michel Temer


» Agremiação: PMDB

» Conjunto: 2.396.880 filiados, 14,345% do
eleitorado brasileiro

» Alegorias: 7 governadores, 20 senadores, 60 deputados federais, 142 deputados estaduais e 1.028 prefeitos

» Evolução: presidente da República (2016 à atualidade); Vice-presidente (2011-2016);  Deputado federal ( Secretário de Segurança Pública de São Paulo (1985), deputado federal (1987-1991 e 1994 a 2010, sendo três vezes presidente da Câmara)

» Enredo: a reforma da Previdência e a melhora da economia para bancar programas sociais

» Mestre-sala: Eliseu Padilha
e Moreira Franco

» Comissão de Frente: Beto Mansur, Carlos Marun, Baleia Rossi, Romero Jucá

Na parada da bateria

O presidente representa no carnaval eleitoral algo como a Império Serrano, considerado o “primeiro império do samba”. Antigo e tradicional, o PMDB tem força e tamanho para alavancar aliados por todo o país, mas há muitos anos não leva um título. Se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, almeja repetir FHC, o presidente Temer, lá no fundo, acalenta o sonho de ser um Itamar Franco — um presidente que chegou ao cargo depois do impeachment de Fernando Collor de Mello e foi capaz de recuperar a economia. Só que, nos tempos de Itamar, não havia a possibilidade de reeleição.

 

Em maio deste ano, quando o governo estava próximo de aprovar a reforma previdenciária, um amigo disse a Temer: “Você pode se preparar, porque, se a economia melhorar, você tem de ser candidato”. As denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot arquivaram o projeto. Agora, com o PIB de 3% previsto para o ano eleitoral, a reeleição voltou a sondar o enredo peemedebista. O próprio Temer não descarta. Em entrevista ao Correio, foi direto: “Eu não postulo, me posiciono”, afirmou, quando perguntado se descartava uma candidatura.


Aqueles que cercam o presidente garantem que, se ele não for candidato — a família não quer que ele seja —, a tendência é de que a agremiação apoie alguém mais ligado ao governo.

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