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Estado de Minas

Temer embarca para a Suíça na tentativa de atrair investidores

Presidente chega aos Alpes suíços com o objetivo de "vender o Brasil" após rebeixamento do país pela Standart & Poor's


postado em 21/01/2018 22:32 / atualizado em 22/01/2018 09:43

Especialistas veem a ida de Temer a Davos como uma estratégia para a sua candidatura nas eleições deste ano(foto: Beto Barata/PR)
Especialistas veem a ida de Temer a Davos como uma estratégia para a sua candidatura nas eleições deste ano (foto: Beto Barata/PR)

 
O presidente Michel Temer embarca segunda-feira (22/1) às 22h para a Suíça para participar do encontro anual do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), no resort de Davos, nos Alpes suíços. Será a primeira vez que um presidente brasileiro comparece ao evento desde 2014. O emedebista ensaia um discurso bastante otimista aos líderes globais, poucos dias após o rebaixamento do país pela Standard & Poor’s. O objetivo é atrair os investidores para os projetos de concessão, principalmente, de infraestrutura, que ainda não decolaram propriamente.

Durante o briefing sobre a viagem, o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, informou que, em Davos, Temer apresentará números de um país que superou a crise e voltou a crescer, com inflação controlada, o Índice Bovespa registrando recorde de 81 mil pontos e o país voltando a criar empregos, com inflação e juros mais baixos. Segundo ele, Temer apresentará aos investidores o programa de concessões e privatizações do governo federal, com ênfase na área de infraestrutura, o Avançar Parcerias. A expectativa para este ano é ofertar 75 projetos para a iniciativa privada que poderão captar mais de R$ 130 bilhões em investimentos.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Moreira Franco, embarca com Temer para a Suíça e reforçou o tom otimista do governo. “Retornamos a Davos para dizer que enfrentamos a mais grave crise econômica de nossa história, superamos a recessão, baixamos a inflação de mais de 10% para 2,9%, abaixo do piso”, escreveu ele, em seu perfil do Facebook.

Especialistas veem a ida de Temer a Davos como uma estratégia para a sua candidatura nas eleições deste ano. Na avaliação do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, no entanto, esse movimento tem a popularidade baixa do presidente como maior obstáculo. “A popularidade não deixa Temer ser candidato. Mas é importante para um líder que quer ter visibilidade global ir a esse evento, porque o Fórum reúne importantes investidores mundiais. E Temer vai tentando atrair investimento para o país ao mesmo tempo em que ele reforça sua posição de grande influenciador político”, disse ele, acrescentando que as incertezas em relação à sucessão podem atrapalhar o processo de concessão neste ano. “Como o governo ainda não tem um candidato forte, fica difícil saber que rumo o país vai tomar a partir de 2019. Isso é preocupante para o investidor, apesar de o discurso de Temer no Fórum ser otimista”, completou.

400 painéis 

A 48ª edição do Fórum de Davos ocorre entre os dias 23 e 26, devendo reunir cerca 1,9 mil chefes de estado e de governo, líderes de organizações internacionais, membros da academia e da sociedade civil. O tema central dos 400 painéis de discussões do encontro do WEF deste ano é “Criando um futuro compartilhado em um mundo fragmentado”.“Nossa reunião anual pretende superar essas falhas reafirmando os interesses compartilhados entre as nações e garantindo o compromisso das partes interessadas com a renovação dos contratos sociais por meio do crescimento inclusivo”, explicou o fundador e presidente executivo do Fórum, Klaus Schwab, em um comunicado do Fórum.

Temer participará do WEF apenas no dia 24, quando ele tem um encontro com Schwab e fará um discurso pela manhã no evento. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, viajou antes do presidente para a Europa e, nesta segunda-feira, tem encontro com investidores em Londres e viaja à noite para Davos, onde está lotada entre os dias 23 e 25. O ministro tem reuniões o primeiro escalão de empresas e bancos globais, como Alibaba, Heineken, Goldman Sachs, Nike e UBS, além de ministros das finanças da Suíça, da Holanda, do México e de Luxemburgo.

Meirelles ministro também se encontrará em Davos com o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Ángel Gurría. “Esta semana participo em Davos do Fórum Econômico Mundial. Evento importante para trazer novos investimentos e aumentar a inserção internacional do Brasil”, afirmou o ministro em sua página do Twitter neste domingo.

O painel de abertura dos encontros do WEF será feita por Narendra Modi, primeiro ministro da Índia, país que cresce em ritmo mais acelerado que a China atualmente e, há vários anos, tem sido um dos principais destaques do Fórum de Davos. 

Além de Temer, participam do encontro líderes como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, o primeiro-ministro do Canadá, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, o rei da Espanha, Felipe VI. Também estão confirmadas presenças da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e de artistas como a atriz Cate Blanchet, o cantor Elton John e o ator e apresentador indiano Shah Rukh Khan, conhecido como “Rei de Bollywood”.

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