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Estado de Minas

Com o risco de prisão, Lula antecipa pré-candidatura à Presidência

O ex-presidente e o PT decidem realizar um ato, na próxima quarta, para lançá-lo na disputa ao Planalto


postado em 01/02/2018 06:00


Pressionados pelo risco de uma decretação de prisão nas próximas semanas e animados com os resultados da pesquisa Datafolha de ontem, na qual ainda aparece com 37% das intenções de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT correm para lançar a pré-candidatura do petista. O evento está marcado para a próxima quarta-feira, provavelmente, em Belo Horizonte, para prestigiar o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Alguns integrantes da executiva nacional sugeriram, em reunião realizada na última terça-feira, que a cerimônia fosse no Nordeste, mas a tese dominante é que seria um teste de força realizar um ato deste tipo em uma região onde o prestígio de Lula é menor.

 

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Política muitas vezes é jogo de cena, o ex-presidente e o PT sabem disso. Reforçar que é pré-candidato passa a ser uma tentativa de postergar o pedido de prisão e reforça o argumento de que “eleição sem Lula é fraude”. Segundo apurou o Correio, o ex-presidente pretende adiar o máximo a saída de cena. Ele quer seguir viajando pelo país. Qual a estratégia então? Levar a tiracolo o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A desculpa é perfeita: ele é coordenador do programa de campanha do PT. Se lá na frente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedir o registro da candidatura, Lula já terá tornado Haddad popular perante o eleitorado.

Se for preso, hipótese que deixou de ser fantasiosa e a cada dia parece mais concreta, Lula ainda poderá ser um player importante. Nomes importantes da esquerda, como o secretário-geral do PSB, Renato Casagrande, consideram que, se isso ocorrer, a força do ex-presidente poderá ser ainda maior, dado o simbolismo do encarceramento de alguém que lidera as pesquisas de intenção de voto.

O problema é que esses são os planos de Lula e da turma dele. Parte da legenda não pretende aceitar a manobra, afirmando que “Haddad será uma Dilma sem saias”. Por isso, já há quem defenda que, sem o ex-presidente, o melhor seria a realização de prévias internas.


Outsiders


Os petistas ainda apostam na confusão criada pelo atual cenário. Sem Lula, abrem-se dois caminhos com desfechos imprevisíveis. O primeiro deles é o reforço à candidatura de nomes fora do espectro político, como o apresentador Luciano Huck e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, por exemplo. O segundo é o aumento do número de eleitores sem qualquer disposição para escolher algum candidato — segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, o percentual daqueles que votariam branco, nulo ou que não sabem chega a 35%, acima dos 32% verificados na disputa municipal de 2016.

A professora de Ciência Política da FGV/Ibrape Sônia Fleury acrescenta que os estragos poderão ocorrer independentemente do destino de Lula. “Se ele, de fato, não puder concorrer, abrirá uma grande dúvida sobre a governabilidade. Não serão poucos os que dirão que o próximo presidente só foi eleito porque Lula foi impedido de disputar a eleição”, afirmou Sônia.

Até mesmo a candidatura dos chamados outsiders não é garantida. Dois nomes que aparecem bem nas pesquisas do Datafolha — Luciano Huck e Joaquim Barbosa — não deram sinal verde para os interlocutores de que estariam dispostos a, efetivamente, concorrer ao Planalto. “O ex-ministro Joaquim Barbosa é um excelente quadro e tem plenas condições de contribuir para o debate. Mas, até para ele próprio, seria melhor se filiar ao PSB sem a predefinição de candidatura”, afirmou Renato Casagrande, em entrevista ao programa CB.Poder de ontem.

Neste cenário de incertezas, até mesmo o MDB se assanha e deixa no ar a possibilidade de Michel Temer buscar a reeleição. “O MDB está discutindo no âmbito das alianças se terá ou não candidatura própria. Há um legado a ser defendido com a melhora da economia a cada dia. E a tendência é a rejeição ao presidente cair”, afirmou, no Twitter, o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (RR).


Cortes no orçamento

O senador Romero Jucá (MDB-RR), líder do governo no Senado Federal, afirmou que o governo não conseguirá evitar um contingenciamento no Orçamento deste ano e admitiu que os técnicos do Ministério do Planejamento ainda estão fazendo as contas para anunciarem a tesourada até amanhã. A expectativa do parlamentar é que esse número fique entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões. O número, contudo, é diferente do projetado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que prevê um corte na casa dos R$ 21 bilhões. (RH)

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