Brasil derrotou a hiperinflação, mas ainda é país que não sabe poupar

Brasileiro satisfaz desejos reprimidos de consumo, mas se esquece de economizar para o futuro

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postado em 03/07/2014 08:01 / atualizado em 03/07/2014 08:49

Diego Amorim , Rodolfo Costa

 Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Quando o real começou a entrar no bolso dos brasileiros, em julho de 1994, provocou uma revolução nos hábitos de consumo dos brasileiros. A estabilidade dos preços e, mais à frente, o fenômeno do crédito ampliaram as possibilidades de compra. As famílias aprenderam a gastar sem sustos. Dos carrinhos do supermercado saíram produtos básicos e entraram aparelhos eletrônicos de última geração, como os tablets. Bens antes impensáveis nas prateleiras e estantes de casa trouxeram uma melhor qualidade de vida, ainda que acompanhada de contas atrasadas e endividamento recorde, devido à falta de planejamento de muitos.

Na era do Real, graças à derrota da hiperinflação — nos 14 anos que antecederam o plano econômico, a carestia acumulou alta de inacreditáveis 11,3 trilhões por cento —, o poder de compra disparou. “As pessoas passaram a comprar o biscoito recheado, a ter talão de cheque, a pôr o carro na garagem, a instalar na sala de casa a tevê mais moderna”, diz o educador financeiro Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro. “Pena que, depois de satisfazerem todas as necessidades reprimidas de consumo, os brasileiros não construíram patrimônio, não aprenderam a poupar. Acabaram ficando despreparados para enfrentar momentos de dificuldades, dos quais ninguém está livre”, acrescenta.

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Muito do incentivo para a gastança veio do governo, que apostou tudo no consumo para incrementar o crescimento econômico do país. De certo por um bom período. Agora, porém, o Brasil se ressente da falta de poupança interna para ampliar os investimentos produtivos e tirar a economia do atoleiro. “Gastar e incentivar todo mundo a fazer o mesmo virou uma política de Estado no Brasil. O problema é que se gasta muito e mal”, analisa Calil, para quem o modelo econômico baseado no consumo chegou ao limite.

Antes de 1994, o servidor público Fabiano Jantalia, hoje com 39 anos, não nutria esperanças de, um dia, ter um padrão de vida melhor que o da infância. Nunca faltou o básico na casa da família, mas a caixa de som com a qual ele tanto sonhava era substituída no imaginário infantil por uma aparelhagem de papelão. “Fui ter o primeiro computador com 15 anos. Já meu primeiro filho teve contato com o próprio equipamento tecnológico aos 15 meses”, compara.

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