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O lado B de Esdras Nogueira

Goumert de carteirinha, o saxofonista da Banda Móveis Colonial de Acaju circula desenvolto entre as caçarolas que costuma compartilhar com os amigos

postado em 31/08/2010 17:25

Esdras confessa: gasta muito mais com ingredientes, panelas e livros do que com discos

Parece até história de pescador. Mas com o músico Esdras Nogueira, saxofonista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, aconteceu. Ano passado, lá estava ele com os integrantes do grupo na Praia do Forte (Bahia) comendo um peixinho à beira-mar. Eis que chega o músico pernambucano Lenine e pergunta: ;Vocês ainda não pediram o bolinho de peixe?; Apesar de já estarem satisfeitos com o almoço, não é sempre que se escuta uma recomendação gastronômica de Lenine. ;Desce uma porção;, pediu sem pestanejar.


Essa não foi a primeira vez que Esdras teve dicas de pratos, acepipes e outras delícias da culinária das regiões por onde viaja em turnê. Até mesmo quando vai ao cinema, a história prende o saxofonista pelo estômago. ;Já viu Bastardos inglórios? Tem uma cena em que o comandante alemão come um strudel. Hum; Devia estar uma delícia;, recorda, com água na boca.

Quando está fora dos holofotes do palco, Esdras assume outra faceta, a de chef, muito embora recuse a pompa do título. Aprendeu os segredos da cozinha com o pai, mas lapidou o talento quando morou na Alemanha e na Itália, em 2000. Nos países europeus, trabalhou como músico de circo e teve que se virar na hora de preparar o rango. ;Com as tias de lá ; porque a trupe é como uma família ;, aprendi a fazer um frango cozido na panela com legumes; se tivesse vinho branco, ficava ainda mais gostoso.;


Da Alemanha, guarda o sabor da mostarda, dos pães com salsichões, do joelho de porco e da sobremesa que o fez salivar no filme de Quentin Tarantino. Já na Itália, aprendeu os macetes. ;Não gosto de acordar cedo, mas comecei a frequentar muitas feiras. Ficava na cola dos velhinhos. Eles sabem todos os esquemas.; De lá, Esdras também não se esquece do sabor das sardinhas, da carne de cabra, das pizzas e; da berinjela? Isso mesmo. O legume é o favorito do músico que, na coleção de publicações sobre culinária, mostra como predileto o livro 100 receitas para a berinjela.


Gourmet de carteirinha, Esdras deixa escapar: gasta muito mais com ingredientes, panelas e livros do que com discos. O último presente que ganhou dos amigos da banda foi uma Le Creuseut, xodó do saxofonista. ;Nela, já fiz muito cozido. Fica bom mesmo. Por isso, já aviso logo o pessoal aqui em casa: essa ninguém tira daqui.;


Além de compartilhar o título de bom de garfo com os 10 integrantes do Moveis Coloniais de Acaju, o empresário Carlos Eduardo Miranda junta-se ao time como mestre. Quando os pupilos gravaram o último álbum c_mpl_te, ele apresentou bons restaurantes em São Paulo. Na hora de palitar os dentes, a conta vinha salgada ; ;no mínimo três dígitos; ;, mas valia cada centavo. ;Ele gosta muito do Leôncio, para onde levava os caras do Rappa. É daqueles lugares para ficar a tarde inteira. Tem até um bifão com o nome dele;, conta.

Quem sai perdendo são dois integrantes da banda que não trocam o feijão com arroz por nada. Daí, Esdras entra em campo. ;Agora, estamos educando nosso técnico de som. Quando fomos para Sorocaba (SP), pedimos no Bar do Alemão um joelho de porco, e ele, um bife à parmegiana. No final, ele experimentou e gostou do joelho;, orgulha-se.

Engana-se quem pensa que antes de um show Esdras opte por uma comidinha leve. A única preocupação do grupo é manter o saxofonista longe do camarão. ;Uma vez, em Natal, fomos a um restaurante muito famoso. Não teve jeito, tomei um antialérgico. Já avisei à galera: se passar mal, me levem direito para o hospital.;
Sinônimo de diversão, cozinhar é mais um prazer para o saxofonista, que gosta de anotar receitas dos mais diversos programas de culinária que assiste na TV. No domingo, a trilha sonora da banda dá um tempo para o sambinha que Esdras gosta de escutar enquanto prepara um bife de chouriço com abobrinha e beringela para a rapaziada. ;Com a gelada ao lado, claro!”.

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